
É uma pena que a Netflix tenha tão pouco apreço pelo próprio conteúdo, mal divulgando suas produções originais. O streaming tem a política de divulgar trailers e fotos praticamente em cima dos lançamentos, daí, no geral, os conteúdos estreiam e logo são esquecidos. A animação “Nimona“, por exemplo, merecia bem mais da plataforma.
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Se “Homem-Aranha: Através do Aranhaverso” não tivesse sido lançado esse ano, “Nimona” teria fortes chances de levar, inclusive, o Oscar de melhor animação. O filme é uma verdadeira pérola, misturando muito bem um tema importante com uma edição dinâmica e um humor perspicaz, em especial graças à ambientação contemporânea para uma história com tons medievais.
Nimona é uma garota com dons especiais, ela pode se transmutar em animais ou mesmo pessoas. Ela vive como pária em uma sociedade presa à tradição e aos muros que a separam do mundo lá fora, cercado por “monstros”. A trama começa quando um rapaz comum consegue passar pelo treinamento para se tornar cavaleiro, apontando um caminho de mudança para uma sociedade mais igualitária. No momento de ser nomeado, o rapaz acaba, por causa de uma armadilha, matando a rainha e se tornando um foragido. Inicialmente relutante, ele aceita a ajuda da garota para provar sua inocência.

A dupla de diretores Nick Bruno e Troy Quane se sai muito bem ao empregar não só um ritmo dinâmico ao longa como em tratar de forma delicada o tema do preconceito em relação ao diferente, traçando um paralelo com o mundo atual sem soar professoral. A trama tem claramente um toque queer, mas a animação aborda a questão de maneira orgânica mostrando que mudanças são necessárias e o medo do diferente é uma bobagem.
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A animação ainda ganha pontos com a ótima química vocal entre Chloë Grace Moretz (Nimona) e Riz Ahmed (o cavaleiro Ballister). Os dois personagens funcionam muito bem juntos e são os donos dos melhores momentos de “Nimona“, um filme que entrega espetáculo e emoção na mesma medida (a cena da batalha final é de uma beleza tocante).
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Elementos
A Pequena Sereia (1989)