A nova vida de Toby


Estamos tão acostumados a ver filmes e séries com desfechos bem definidos que quando alguma trama termina em aberto ficamos sem reação. É exatamente essa a sensação quando “A nova vida de Toby” termina sem necessariamente apostar na redenção dos personagens, pessoas mais do que comuns que questionam os rumos que suas vidas tomaram.

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Toby é um quarentão que acorda um dia divorciado e tendo que cuidar dos filhos abandonados no meio da madrugada pela mãe. Depois da separação, ele volta a se encontrar com dois amigos da juventude afastados pelo casamento e pelas obrigações de uma vida de marido, pai e médico. As brigas entre ele e a mulher eram constantes e o amor deu lugar à distância e ao estranhamento. É por meio dessa nova vida de Toby (vivido por um Jesse Eisenberg que parece eternamente preso em um filme de Woody Allen) que a minissérie reflete sobre escolhas, amadurecimento e um novo começo já em uma idade mais avançada, quando, na teoria, tudo já deveria estar no lugar.

A história de Toby é contada ao público pelos olhos de sua melhor amiga, Libby (Lizzy Caplan), uma jornalista que trocou o emprego e a vida na cidade pela segurança de um casamento e de uma casa no subúrbio. Depois de anos sem ver Toby, ela se identifica com a nova situação do médico e passa também a questionar suas escolhas, buscando, de alguma forma, se reconectar à juventude que ficou no passado. Um terceiro amigo solteiro, sem filhos e um tanto porra louca (Seth, vivido por Adam Brody, de “The OC“) completa o trio de adultos perdidos em suas próprias vidas.

Com uma direção que emprega um ar meio de conto de fadas à minissérie, em especial graças à narração em off quase literária de Libby, “A nova vida de Toby” começa com um pé na estética dos filmes indies do início dos anos 2000 (não por acaso, a produção e direção de alguns episódios são de Valerie Faris e Jonathan Dayton, dupla responsável por sucessos desse “gênero” indie melancólico: “Pequena Miss Sunshine” e “Ruby Sparks – A Namorada Perfeita“). Esse início um tanto verborrágico e estilhaçado demais pode incomodar quem prefere narrativas mais simples, mas não demora muito para a minissérie encontrar o tom e cativar graças à honestidade com que os personagens são desenvolvidos.

Não há vilões em “A nova vida de Toby“, a não ser a própria vida. Até a própria esposa de Toby, retratada como uma megera na primeira parte da minissérie, ganha novas nuances no episódio que foca em sua vida e na razão de seu desaparecimento. Antes aparecendo apenas em flashbacks, sempre sob a perspectiva de Toby, Rachel ganha sua versão da história em um dos episódios mais lindos que vi recentemente, com a ótima Claire Danes (“Homeland“) reafirmando seu talento ao humanizar um tipo de personagem geralmente massacrada por uma ótica machista: a mulher ambiciosa que coloca a carreira à frente de tudo.

É nesse episódio que “A nova vida de Toby” chega ao auge de sua delicadeza, desfazendo impressões equivocadas e reafirmando que toda história tem lados diferentes, com papéis como “heróis” e “vilões”, “vítimas” e “algozes” sendo descortinados em prol de uma “verdade” mais plausível: em alguns momentos, todos somos capazes de dizer coisas cruéis e sermos “vilões” no drama alheio. É uma virada tão bonita e feita de forma tão natural que não é de se espantar que a minissérie tenha recebido sete indicações ao Emmy, incluindo de melhor roteiro e direção justamente para esse episódio focado em Rachel.

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A nova vida de Toby” ainda foi indicada aos Emmy de melhor minissérie, elenco, atriz (Lizzy Caplan) e atriz coadjuvante (Claire Danes).

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