
O problema de “Napoleão” não é ser uma produção com atores falando em inglês ou sem o menor apego à precisão histórica. Se a primeira questão parece purismo e a segunda já foi refutada por Ridley Scott em outras de suas produções históricas, o que pega na nova empreitada do diretor é a falta de inspiração.
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Diretor de três de meus filmes favoritos (“Alien”, “Blade Runner” e “Thelma & Loide”), Ridley Scott se gaba de dirigir em ritmo industrial (quatro filmes no mesmo período que Martin Scorsese dirigiu um, segundo o próprio disse em entrevistas). O resultado, no entanto, são longas burocráticos e que não deixam nenhuma marca. Em “Napoleão”, tudo é ainda pior porque o filme não tem ritmo ou clímax, sendo um amontado de cenas que vão passando sem ficarem na lembrança.
O mais engraçado ainda é o apego do diretor a um “gênero” (o épico histórico) que ele mesmo não parece dominar. Com exceção de “Gladiador”, todos os outros trabalhos do cineasta por essa vertente são irregulares ou pouco têm a dizer ou mostrar além de batalhas bem conduzidas (vide “1942”, “Cruzada”, “Robin Hood”, “Êxodo: Deuses e Reis” e “O Último Duelo”.) Mas até nisso “Napoleão” deixa a desejar, com uma escala épica que fica mais na proposta do que aparece realmente na telona, com algumas batalhas pontuais (mal comparando, “Game of Thrones” apresenta cenas grandiosas com muito mais empenho) que jogam um pouco de energia em uma produção que parece ter quase nenhuma.

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À parte o esmero técnico (especialmente nos figurinos e na direção de arte), nem mesmo o elenco se destaca. Joaquin Phoenix, por exemplo, parece estar cumprindo um contrato, entregando uma atuação de uma nota só que fica estampada em sua cara de tédio. O resto do elenco mal aparece, e a melhor personagem (Josephine, vivida por Vanessa Kirby) é mal aproveitada por um roteiro que dá saltos temporais que nada explicam.
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Ainda que não precise ser um registro histórico fiel (“Lincoln”, de Steven Spielberg, por exemplo, pretende e é uma chatice), “Napoleão” acaba não entregando nada, nem um épico grandioso cheio de ação, nem um thriller político em que conspirações e traições geram tensão. Dividindo-se em uma primeira parte mais satírica (Scott parece se divertir tirando sarro dos franceses) e uma segunda mais solene, o longa fica apenas na promessa.
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