
“Maxxxine” é uma decepção. Depois de emular os slasher movies do final da década de 1970 e início dos anos 1980 em “X – A Marca da Morte” e apelar para a caricatura em “Pearl”, Ti West finaliza da pior forma possível a trilogia que transformou Mia Goth em uma estrela, atolando referências cinematográficas em um roteiro confuso e que fica no meio termo entre se levar a sério demais e ser uma paródia.
Acompanhe Esse Filme que Passou Foi Bom também no Instagram
Continuação direta de “X”, o longa acompanha a trajetória rumo ao sucesso da única sobrevivente do massacre na zona rural do Texas, Maxine. Em Los Angeles e já estabelecida como atriz pornô, ela quer mais do que ser estrela da indústria pornográfica, apostando na transição para a carreira de “scream queen” em filmes de terror. De alguma forma, o passado bate na porta dela, o que pode atrapalhar seus planos.
Com uma trama que se passa em 1985, na época em que Los Angeles enfrentava o medo graças a um serial killer que assassinava garotas, “Maxxxine” bebe, agora, na fonte dos filmes trash e gore, derramando sangue da forma mais cartunesca possível, com corpos esmagados e sacos escrotais e cabeças explodindo.
Acompanhe Esse Filme que Passou Foi Bom também no TikTok
O resultado desse banho de sangue fica no limiar entre o engraçado e o ridículo, com Ti West mais interessado em desfilar suas referências oitentistas do que propriamente desenvolver a trama, perdida entre contextos e mais contextos. Temos o serial killer pairando em noticiários na TV, Maxine imersa nos bastidores de Hollywood e em busca da fama e ainda manifestações conservadores e moralistas contra o cinema pornô e de terror.
Parece coisa demais para o filme, o diretor e a própria atriz darem conta, com Mia Goth perdida no meio de mortes que parecem desconexas e rostos conhecidos que pouco ou nada acrescentam à trama principal (Kevin Bacon, Elizabeth Debicki, Giancarlo Esposito, Michelle Monaghan, Bobby Cannavale, Lily Collins, etc.).

Para saber onde ver os filmes, pesquise no JustWatch
Sem nenhum suspense ou tensão, quando o mistério se revela, “Maxxxine” se perde de vez, com Ti West adotando um tom mais sério, ainda que toda a encenação siga com o pé no acelerador da estética trash. Poderia ser algo que se relaciona mais com o meta terror (com a metalinguagem como recurso narrativo), como a franquia “Pânico”, por exemplo, mas o cineasta fecha sua trilogia com um pé em “Todo Mundo em Pânico”. É divertido, mas Mia Goth merecia mais.
Leia mais:
Entrevista com o Demônio
Um Lugar Silencioso: Dia Um
O Mal que nos Habita