Conhecidos por filmes nervosos como “Bom Comportamento” e “Joias Brutas”, os irmãos Safdie seguiram caminhos opostos em 2025, cada um deles dirigindo o seu próprio longa, com recepções bem diferentes. De Benny Safdie, “Coração de Lutador” ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Veneza, mas ficou a ver navios não apenas no Oscar (só recebeu uma indicação pela maquiagem), como também na sua bilheteira nada impressionante.
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Já “Marty Supreme” teve bem mais sorte, tornando-se a maior bilheteria da A24 e recebendo nove indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, direção, roteiro e edição para o irmão mais sortudo, Josh Safdie. O longa pode render ainda o primeiro Oscar a Timothée Chalamet, que se entrega de corpo e alma a um personagem nada fácil.
O ator vive um jogador de tênis de mesa que quer o sucesso a qualquer custo, acreditando que o seu talento é suficiente para que ele vença na vida. O personagem é levemente inspirado em uma figura real, mas nem Chalamet, muito menos o diretor, querem fazer uma cinebiografia convencional (algo que o ator já fez no recente e chatinho “Um Completo Desconhecido”).
Da cinebiografia de Bob Dylan, Chalamet só pega emprestada a arrogância do cantor, que parece ser tão consciente de sua genialidade quanto o protagonista de “Marty Supreme”. No mais, nada de Marty Mauser lembra a lenda da música. Em pleno domínio de sua arte, o ator incorpora uma fala agitada e uma atitude verborrágica que chegam a ser irritantes, mas que prendem a atenção do público, sendo praticamente impossível desviar os olhos do jeito confiante do ator.
Mas “Marty Supreme” não é apenas um veículo para mostrar o talento de Chalamet. Seguindo o mesmo ritmo ágil das colaborações dirigidas em conjunto com o irmão, Josh Safdie super dirige o longa, cheio de cortes e planos que aceleram uma narrativa que usa os jogos de tênis de mesa como um ponto de partida para discutir e desconstruir a ideia do “american dream”.
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Se o protagonista possui o talento e a alma de autopromoção para acreditar na meritocracia e no seu direito de vencer, Safdie cria uma narrativa tortuosa que joga a realidade na sua cara. Às vezes, não basta apenas querer vencer ou ter talento para tal; às vezes, é preciso seguir regras, baixar a bola e, acima de tudo, ter sorte. O protagonista de “Marty Supreme” não possui nenhum dos pré-requisitos acima, dificultando a sua própria jornada.
Uma curiosidade é que não deixa de ser engraçado que Josh Safdie esteja concorrendo com Paul Thomas Anderson na categoria de melhor direção (além de produção/filme e roteiro). Em vários momentos, “Marty Supreme” lembra a energia caótica de “Boogie Nights”, outro drama lindamente filmado que mostra a ascensão e a queda de pessoas que acreditaram no “american dream”, ainda que pela via nada convencional do mundo da pornografia.
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Com uma bela direção de arte e fotografia e um elenco assustador de tão competente (cada novo personagem que aparece na tela deixa sua marca), “Marty Supreme” é puro cinema, com direito ainda ao retorno de Gwyneth Paltrow à tela grande, lugar de onde a atriz nunca deveria ter saído.
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