The Beauty: Lindos de Morrer

Basta levar um tombo na rua para Ryan Murphy lançar uma nova série. De novembro para cá, por exemplo, três novas séries criadas e/ou produzidas pelo autor estrearam na Disney Plus: a péssima “Tudo é Justo”, a antologia “História de Amor: John F. Kennedy Jr e Carolyn Bessette” e o arremedo de “A Morte Lhe Cai Bem” e “A Substância”: “The Beauty: Lindos de Morrer”.

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Se antes as séries de Murphy começavam bem e iam piorando a cada nova temporada, agora elas já perdem o foco de cara, como demonstra “The Beauty”. Ainda que o programa já comece sofrendo do habitual problema de Murphy em privilegiar a estética em detrimento da narrativa, a trama, que versa sobre um novo remédio que promete a revolução da beleza com apenas uma injeção, tinha potencial.

The Beauty” já estabelece sua premissa de cara: uma modelo começa a passar mal nas passarelas e o que segue é um show de horror, gore e violência que resulta em mortes e em um corpo literalmente explodindo em sangue. Entram em cena dois agentes do FBI para investigar a morte da modelo, relacionada a outros casos de corpos de gente bonita explodindo. O que era para ser um remédio se transforma em um vírus mortal.

Com sua típica afetação, Ryan Murphy usa a própria estética pela estética para refletir exatamente sobre a obsessão da humanidade pela beleza. Mesmo não sendo nova, a ideia é interessante e, com a ajuda de Evan Peters e Rebecca Hall, a série segura a atenção. Não demora muito, no entanto, para “The Beauty” começar a atirar para todos os lados, apresentando novos personagens a cada episódio apenas para reforçar um conceito que já estava lá desde o início.

O resultado é uma série que vai perdendo força, com novos episódios que batem na tecla da redundância enquanto Murphy abraça a falta de sutileza e violência sem desenvolver nenhum dos temas propostos: a crítica à busca por padrões de beleza, à ganância corporativa, aos ricos passando por cima de tudo e de todos para ficarem mais ricos e por aí vai.

The Beauty” ainda vai jogando novos elementos na cara do espectador ao mesmo tempo em que abandona personagens e uma série de questões que ficam no ar: por que, por exemplo, todos que tomam a injeção ou são infectados via sexo se tornam “beldades” de 20 e muitos anos enquanto o bilionário investidor se transforma em um quase cinquentão Ashton Kutcher?; ou mesmo como ele manda assassinar outros bilionários e ninguém sequer investiga o caso?

Problemas de furos de roteiro à parte, “The Beauty” ainda peca pela total falta de coerência em relação à própria proposta. Para uma série que afirma que a beleza é a porta de entrada para o sexo fácil, o programa é extremamente assexuado, desfilando uma fila de corpos padrão sem nenhum sexy appeal, sem despertar nenhum desejo ou tesão.

Mais uma vez, Ryan Murphy acredita que apenas os excessos por si só são o suficiente para salvar a série e manter a atenção do público. Ledo engano. Com episódios finais para lá de fracos e um desfecho que beira o patético, “The Beauty” já chega ao final da primeira temporada cansada e sem fôlego.

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A imagem que fica de “The Beauty” é a pobre Isabella Rossellini vestida com figurinos e chapéus ridículos tentando manter a dignidade enquanto funciona como um mero elemento de nostalgia ao remeter (de forma nada sutil – vide a referência ao figurino da personagem do filme de Robert Zemeckis) ao bem melhor “A Morte Lhe Cai Bem”.

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