A Noiva!

É maravilhoso pensar que dois dos primeiros filmes-evento de 2026 tenham sido dirigidos por mulheres, algo impensável há, digamos, 10 ou até 5 anos. É mais impressionante ainda quando as duas produções de grande orçamento escolham exatamente o mesmo caminho do “ame ou odeie”.

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As similaridades entre a nova versão de “O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emerald Fennell, e a releitura de “A Noiva de Frankenstein”, rebatizada por Maggie Gyllenhaal de “A Noiva!”, não param por aí. Ambos os filmes apostam na encenação como maior chamariz e na estética da afetação como motor visual e narrativo, muitas vezes o figurino, a direção de arte, a maquiagem e a fotografia tomando o centro do palco (da tela, no caso) chamando a atenção para si.

Ainda que os dois filmes sofram para encontrar o tom certo, “A Noiva!”, Maggie Gyllenhaal e Jessie Buckley se saem bem melhor (do ponto de vista narrativo, já que, provavelmente, o longa não encontre respaldo na bilheteria – chegou, inclusive, a ter a estreia adiada alguns meses) do que a produção de Emerald Fennell protagonizada por Margot Robbie.

Maggie Gyllenhaal, por exemplo, parece extremamente ciente de quais produções referenciar. Se o ponto de partida é a obra de Mary Shelley, “A Noiva!” pinça elementos do cinema noir, musicais e das produções de terror, misturando-os com toques de “Bonnie & Clyde”/“Assassinos por Natureza”, ecos de “Coringa”/”Coringa: Delírio a Dois” e a aura punk de “Cruella”. Nem sempre essa miscelânea de referências faz sentido ou mesmo funciona, mas Gyllenhaal já demonstra ousadia narrativa em seu segundo longa-metragem (o primeiro é “A Filha Perdida”, adaptação de Elena Ferrante).

Não que “A Noiva!” seja realmente um bom filme, mas é visível que Maggie Gyllenhaal se esforça para domar tantos elementos em uma produção de escala “monstruosa”. A diretora parece perder o controle logo de cara, nem sempre equilibrando as mudanças de tom ou mesmo o som e a fúria que tomam conta de Jessie Buckley.

A futura vencedora do Oscar (pelo bem diferente “Hamnet”) vive uma mulher morta e ressuscitada por homens. Os homens que a mataram querem lhe calar. O que a ressuscita, ninguém menos do que Frankenstein (Christian Bale) quer apenas fugir da solidão. A partir dai, a trama vira um jogo de gato e rato, com o casal-monstro sendo perseguido pela polícia enquanto a Noiva ganha fama e inspira mulheres a lutarem contra um mundo machista.

Em meio a um elenco que parece dos sonhos, mas pouco tem a fazer (além de Buckley e Bale, Annette Bening, Penélope Cruz, Jake Gyllenhaal, John Magaro e Peter Sarsgaard dão as caras), “A Noiva!” parece querer abraçar mais do que consegue, por vezes se tornando um barulhento caos narrativo. Mas é uma produção que prefere errar ousando do que seguir o caminho mais fácil.

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Nem sempre, ou mesmo na maioria das vezes, tudo que o filme se propõe funciona, mas “A Noiva!” se permite fracassar e tenta se distanciar das outras tantas e cada vez mais comuns adaptações da obra clássica de Mary Shelley.

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