Criador das séries mais hétero da TV norte-americana (“Yellowstone”, “Landman”, “Tulsa King” e mais uma penca), Taylor Sheridan decide em “The Madison” trazer uma perspectiva feminina ao seu universo de personagens. Feminina, não feminista, como a forma como ele desenvolve as mulheres da trama deixa bem claro.
Acompanhe Esse Filme que Passou Foi Bom também no Instagram
Enquanto os homens de “The Madison” são atenciosos, bem-educados, verdadeiros exemplos de comportamento ou mesmo submissão na maneira como agem com as mulheres, estas são mimadas, superficiais, mandonas ou incapazes de viverem uma vida independente deles. Essa é a impressão que fica nessa suposta trama de luto que parece existir basicamente para mostrar como “os verdadeiros americanos”, os homens do campo, é que sabem realmente viver.
Na trama, Michelle Pfeiffer vive uma socialite que ama Nova York e passa seu tempo se dividindo entre eventos de caridade e resolvendo os problemas das filhas e netas progressistas. Com a morte do marido (Kurt Russell), um homem que prefere pescar nas belas paisagens do campo a viver na correria da cidade, ela e a família precisam se mudar para a fazenda do irmão do falecido para resolver questões burocráticas decorrente do acidente que matou os dois.
Com um começo que mais parece uma espécie de “Nada é para Sempre” (filme de Robert Redford que é, inclusive, citado pela série), a série logo vira um novelão em que Michelle Pfeiffer se culpa e se lamenta por não ter aceitado viver como o marido queria, entre os lagos, as montanhas e os bichos que povoam as belas paisagens de Montana. Enquanto isso, suas filhas e suas netas brigam como crianças e desrespeitam o momento de luto da matriarca.
“The Madison” não chega a ser uma série ruim, mas é um tanto chocante como uma trama sobre luto se transforma quase em uma propaganda ideológica republicana, com o bucolismo e a gentileza do campo servindo como contraponto para a frieza e a violência da cidade. Nenhum dos mundos retratados pelo texto pesado de Taylor Sheridan soa, no entanto, real, e isso acaba comprometendo uma série que parece presa demais a uma ideia por demais preto no branco.
Sempre talentosa e carismática, Michelle Pfeiffer faz o que pode para contornar os problemas de roteiro e da visão para lá de conservadora de Sheridan. Mas é difícil sobreviver a uma trama tão tacanha e simplista que vai se tornando previsível a cada episódio (como o romance para lá de forçado que surge entre a filha mais velha e divorciada e um bonitão policial local).
Para saber onde ver os filmes, pesquise no JustWatch
Se Michelle Pfeiffer (que volta à telinha em abril em outra série: “Margo e a falta de Dinheiro”, da Apple TV Plus) mantém a atenção em meio a uma história que parece não ter muito para onde ir, a atriz pelo menos está cercada de um elenco que cumpre o seu papel. Do marido que só aparece em flashbacks às filhas (Beau Garrett e Elle Chapman) e outros coadjuvantes que circulam pela vida da viúva (do belo Ben Schnetzer, o policial que flerta com a filha mais velha e divorciada, à amiga vivida com elegância por Rebecca Spence, e ao terapeuta interpretado por Will Arnett), todos estão ali para orbitar em volta de Michelle Pfeiffer.
Leia também:
Scarpetta
The Beauty: Lindos de Morrer
Rivalidade Ardente


