No último episódio de “História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette”, já com a protagonista morta, sua mãe diz revoltada que a imprensa afirma que o avião onde ela, sua irmã e o marido John F. Kennedy Jr estavam caiu porque ela se atrasou por querer fazer as unhas e eles tiveram que viajar à noite. Em um episódio anterior, Carolyn assiste horrorizada às notícias sobre a morte da princesa Diana em um acidente de carro causado pela perseguição dos paparazzi.
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A nova série antológica de Ryan Murphy, que nessa primeira temporada foca no romance entre o filho do presidente assassinado e uma garota “normal” que apenas trabalhava para o midas da moda Calvin Klein, não é um tratado sobre os males da fama. Mas o roteiro da série, em vários momentos, reflete sobre como as mulheres são muito mais facilmente condenadas pela mídia do que os homens (o próprio programa cai nesse erro ao apostar em um retrato um tanto enviesado da atriz Daryl Hannah, que namorou John F. Kennedy Jr antes de Carolyn Bessette).
Mas, ainda que tenha falhas, “História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette” consegue pelo menos se livrar da afetação exagerada de outras séries de Ryan Murphy (caso das recentes “Tudo é Justo” e “The Beauty: Lindos de Morrer”). Claro que o programa respira polêmica, com a família Kennedy, por exemplo, acusando os produtores de lucrarem com a sua história de tragédias.
Claro também que a narrativa apela para o tom novelesco, com o romance entre os dois se perdendo ao longo dos nove episódios da trama. A série, por exemplo, se torna um pouco cansativa nos episódios finais ao repetir a dinâmica tóxica entre os dois. De um lado, ele nasceu e cresceu em meio à fama, sendo tratado, no geral, como queridinho pela mídia. Já ela, uma pessoa comum, sofre após se casar com ele e ser perseguida literal e simbolicamente pela imprensa e pela sociedade. O resultado é uma relação conflituosa e longe dos contos de fadas.
Mas há algo que funciona muito bem em “História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette”. Mesmo que a linha temporal da série pareça um pouco bagunçada e o tom de melodrama barato de propaganda de luxo, às vezes, tome a dianteira, a encenação caprichada e a ausência da mão pesada de Ryan Murphy na direção e no roteiro (ele é apenas produtor executivo) compensam.
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Em meio a uma versão do romance trágico que fica entre os fatos e a ficção, o espectador ainda ganha com referências aos anos 90, uma trilha sonora matadora que toca as “mais mais” da década (Madonna, Duran Duran, Björk, Radiohead, Cranberries, Seal, Portishead, Sade, The Stone Roses, Lenny Kravitz, En Vogue, Pulp, Fiona Apple…) e a boa química entre Sarah Pidgeon e Paul Anthony Kelly. Seja por nosso fetiche pela tragédia, ainda mais envolvendo gente rica e bonita, seja porque a série sabe ser envolvente, “História de Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette” não é um sucesso por acaso.
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