Notas musicais: Lady Gaga

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Lady Gaga é uma idiota. Fala demais e quer o tempo todo chamar atenção para si, e não para sua música. Alguns vão dizer que em tempos de redes sociais e YouTube, ela está mais do que certa. Mas tudo tem limites, e ela extrapola todos. Para o mal. A artista posa de original, mas o máximo que podemos dizer é que ela é criativa, já que não passa de um remix de um monte de coisa que já vimos no passado: David Bowie, Madonna, Grace Jones e mais uma penca de gente.

Não que isso seja pecado. Lady Gaga não está sozinha na era do remix e dos liquidificadores culturais de referências. O problema, mais uma vez, é sua falta de tato, e mesmo carisma (talento ela tem, não dá para negar), para soar mais autêntica e menos fake.

Dito isso, a maior falha de Born This Way é, justamente, a própria Gaga. Além das frases e atitudes “polêmicas” pra divulgar o trabalho, a artista caiu na besteira de anunciar uma revolução pop, quando, na verdade, entrega um álbum apenas ok e sem grandes novidades. Born This Way está longe de ser uma revolução, mas também não é nenhuma tragédia anunciada pela propaganda negativa que a superexposição da artista costuma causar.

Longe de ser um exemplar na linha “Ame ou Odeie”, o álbum novo de Gaga fica em cima do muro entre ser um lixo descartável, mas divertido, e um produto pop de qualidade, com algo realmente a dizer. As piores músicas são os primeiros singles, pretensiosos, mal produzidos e aquém de canções como “Paparazzi”, “Telephone”, “Just Dance”, “Bad Romance”, por exemplo.

Born This Way e Judas (que ganharam péssimos videoclipes), “Hair”, “The Edge of Glory” são puro lixo e só devem agradar aos fãs mais ardorosos, aquele tipo que gosta de qualquer porcaria que o ídolo faça. O resto do CD traz algumas boas canções, algumas vezes prejudicadas por uma produção farofa indigna dos tempos atuais.

Em uma época em que Kanye West prova que música pop também pode ser luz, é uma vergonha uma cantora do porte de Gaga apresentar um trabalho tão desleixado e que, às vezes, faz Gaga soar como uma Shania Tawn (“You & I”) ou qualquer outra cantora ruim saída dos anos 90 (“Bad Kids”, “Highway Unicorn”).

Entre mortos e feridos, “Americano” é o cúmulo do exagero e, se Gaga fosse inteligente, teria sido o primeiro single. “Schibe” também é uma delícia de se ouvir, trazendo a cantora tentando enrolar um alemão macarrônico feito para bombar nas pistas. “Bloody Mary” e “Electric Chapel” são outras faixas que seguram a audição do disco. A melhor, porém, é “Heavy Metal Lover”, talvez a canção mais bem cuidada do trabalho, de produção mais limpa e com camadas, sem a sujeirada da maioria das outras músicas.

Depois de mais de dois anos divulgando The Fame/The Fame Monster, seria Born This Way o primeiro passo para o tropeço de Gaga? Infelizmente, bem pouco provável, dirão alguns. Se Britney Spears, Christina Aguilera, Mariah Carrey e tantas outras estão aí até hoje, difícil Gaga perder assim espaço só porque ela passou longe da revolução prometida. Se ela for esperta, Born This Way vai pelo menos servir para ela se expor menos, parar de falar tanta besteira e se concentrar mais na sua música. Ou não.

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