Livro: a arte de voltar a ler

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Eu já li mais. Nem tenho muitas desculpas para afirmar que hoje leio menos por causa da vida e tals. Tempo eu tenho de sobra, mas acabei optando por outras atividades que não a leitura. Às vezes me recinto disso, mas não costumo fazer muita coisa para reverter a situação. Mas enfim, não adianta muito ficar reclamando. Apenas acontece. Nem todo mundo vai morrer já tendo lido clássicos ou obras obscuras, Dostoievski, James Joyce, Jane Austen ou mesmo aquele best-seller do cão que não acrescenta nada a sua vidinha ordinária.

Mas outro dia eu li. Li um livro inteiro. E com mais de 400 páginas, olha que bonito! Estava eu sem fazer nada em um aeroporto qualquer, esperando um voo que ainda ia demorar a decolar quando entrei em uma dessas livrarias genéricas e resolvi comprar um livro, ainda que ele fosse caro. Já tinha ouvido falar do livro e ele estava na minha extensa lista, que nunca diminui, de coisas que eu deveria ler antes de morrer. Numa decisão súbita, comprei o livro e comecei a ler ali mesmo, no aeroporto e, depois, no avião, no céu entre o Rio de Janeiro e São Paulo.

Passei a semana inteira lendo. Quase me obriguei a ler pelo menos um capítulo por dia, antes de dormir que fosse. Alguns dias eu lia mais de um. Outros me dava por satisfeito em apenas cumprir minha meta. Me senti melhor por retomar o hábito da leitura, ainda que ler um livro não signifique que eu esteja voltando a ler como outrora. Aliás, nem me lembro se algum dia eu fui mesmo um leitor voraz. De histórias em quadrinhos, talvez. Hoje, de revistas e blogs. Mas não é a mesma coisa, convenhamos.

Para quem ficou curioso, a trama do livro em questão gira em torno de um casal de amigos. Ele meio metido, riquinho e galã. Ela uma moça normal, com baixa autoestima, dona de um sotaque carregado e uma personalidade um tanto sustentável, antes mesmo do termo ser inventado. O livro percorre vinte anos, sempre narrando os acontecimentos dos dois ao longo de um dia: 15 de julho de algum ano, de 1988, quando se conhecem, em diante.

É um livro fácil de ler. Texto ágil, cheio de referências à cultura pop. Um fácil exercício de nostalgia para quem já passou dos 30 e viveu os anos retratados no livro. Se for para enquadrar, poderíamos dizer que é literatura pop, tipo Nick Hornby ou André Takeda, para citar um nome nacional. Para quem não gosta de classificações, é apenas um bom livro, despretensioso, mas de qualidade.

A estrutura fragmentária é interessante e se sustenta, seja pelo carisma dos personagens (Dexter e Emma), seja pelo talento do autor para conduzir as tramas e inserir os flashbacks no momento correto. O livro pode ser um tanto desonesto em sua parte final, até apelando para o clichê e o piegas. Mas quem se importa quando a jornada de leitura é tão prazerosa. A quem interessar possa, o livro se chama Um Dia, escrito por David Nicholls, e já virou filme que, a julgar pelo trailer (você pode conferir aqui), tem tudo para ser uma bomba.

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