Moonrise Kingdom

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Engraçado que Moonrise Kingdom tenha sido um dos filmes mais elogiados de Wes Anderson. O longa realmente tem a cara do cineasta e parece ser uma miscelânea da sua obra, apresentando ao público o que o diretor sabe melhor fazer: misturar um certo formalismo com um toque de melancolia. Mas o novo trabalho de Anderson fica por aí. É tão fofo, cute, bonitinho que chega a doer, mas não evolui.

Na real, em “Moonrise Kingdom”, a impressão que fica é que o cineasta pegou tudo que já fez e jogou no liquidificador adicionando o filtro Earlybird do Instagram (sim, o mais vintage de todos, claro). Bonito de se ver, mas meio vazio de sentidos, o longa eleva o esmero estético de Anderson à milésima potência.

A fotografia pálida combina com o descontentamento e/ou conformismo dos personagens. A direção de arte é uma coisa de bonita e funciona como moldura para cenas que causam um belo impacto visual. E a movimentação de câmera detalhista acompanha com precisão e certo calculismo as peripécias de uma trama sobre um garoto e uma garota disfuncionais que decidem fugir juntos.

A grande questão do filme é que todo o formalismo e a estética calculada da produção vão de encontro à temática que versa sobre amores pueris e ingenuidade. A sensação que fica é que há algo sobrando na equação. E o resultado é lindo de se ver, mas de uma frieza sem tamanho.

O elenco cheio de nomes conhecidos jogados em papéis que não deixam nenhum espaço de desenvolvimento só reforça esse distanciamento. Bruce Willis, Edward Norton, Tilda Swinton, Frances McDormand, Bill Murray, Jason Schwartzman e Harvel Keitel estão ali mais para serem cools em um filme cool do que para outra coisa. Resta aos adolescentes segurarem a onda. Sorte que tanto Kara Hayward quanto Jared Gilman se saem muito bem e compram sem reservas a premissa do filme.

Já Wes Anderson se contenta em criar enquadramentos delicados e encher a narrativa de firulas que enchem os olhos. Mas é pouco para quem já demonstrou talento em um filme bem mais complexo, como “Os Excêntricos Tenenbauns”, e ousou até na animação, no gracioso “O Fantástico Sr. Raposo”. Avisem ao Anderson que apostar em ser só indie, hispter e melancólico é muito pouco para segurar um longa-metragem.

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