Em Transe

Max Lewinsky (JAMES McAVOY) in WELCOME TO THE PUNCH

Depois de apurar seu estilo com os bens recebidos “Quem quer ser Milionário” e “127 Horas”, Danny Boyle entrega Em Transe, um longa divertido, mas que nunca empolga. Misturando o gênero “filme de assalto”, um clima meio noir com direito a femme fatale e mais sua câmera epilética, o cineasta constrói um suspense que se perde em uma trama confusa demais que só vai realmente despertar atenção lá no finalzinho, quando tudo se resolve.

O plot segue aquele esquema “quanto menos você souber sobre o filme, melhor”. James McAvoy interpreta um leiloeiro metido em um assalto de um quadro de Goya que vale milhões. No meio da história, temos uma quadrilha comandada pelo feio mais sexy do planeta, Vincent Cassell, e uma moça gostosa (Rosario Dawson) que lida com hipnotismo. Obviamente, nada é o que parece ser, mas até o espectador se dar conta disso, haja Zé.

Boyle acerta ao não levar tudo muito a sério. “Em Transe” já começa sem rodeios e com o pé no acelerador. O diretor estilhaça a história em um vai e volta sem fim fazendo uso de seu arsenal visual típico. E tome filtros que deixam a impressão de as imagens terem saído de um caleidoscópio neon, angulações inusitadas e a quase assinatura visual do rapaz: uma câmera meio bêbada que cola nas costas do protagonista.

“Em Transe” segue uma estrutura narrativa bem parecida com o maior sucesso do diretor, “Trainspotting”, ainda que o propósito seja distinto. Os diálogos conduzem as artimanhas visuais. E até “a moral da história”, com uma das pessoas metida na confusão passando a perna em todo mundo, se repete.

A diferença é que, “Em Transe”, Boyle não está preocupado em representar uma geração por meio de imagens icônicas e uma trilha sonora perfeita. O foco aqui é apenas a construção de um longa com uma trama labiríntica que possibilite ao diretor mostrar suas firulas enquanto estilista visual, usando esses recursos para confundir o espectador em relação ao que é real e o que é imaginação do protagonista. Muito pouco para alguém que parecia estar trilhando caminhos mais ousados.

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