Pílulas

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Gravidade – “Gravidade” é o filme da vez, mas não é o melhor trabalho de Alfonso Cuarón, que fez longas mais complexos em “E Tua Mãe Também” e “Filhos da Esperança”. A maior qualidade desse novo trabalho do diretor é mesmo técnica, uma realização complicada que demonstra toda a capacidade visionária do diretor na tela grande. É um grande feito audiovisual que coloca todo seu peso na apreensão das imagens e dos sons que desfilam, muitas vezes sem cortes, diante dos olhos e ouvidos da plateia. Mas toda essa perfeição técnica, que resulta no melhor cinema que possamos esperar, não encontra mesma ressonância no roteiro, um fiapo de história que pisa muito forte no terreno do piegas e da redenção/superação. Nada contra. Mas, convenhamos, “Gravidade” pode ser um ótimo filme e entretenimento, mas está longe de ser um “2001, Uma Odisseia no Espaço”, produção a que ele é constantemente comparado. Mas essa é só minha opinião (sim, Sandra Bullock está muito bem, mas sua atuação de certa forma só reforça o pieguismo do filme; e George Clooney, charmoso e engraçadinho no espaço, não combina, ou pelo menos não deveria combinar, com a proposta do longa).

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Os Suspeitos – O novo trabalho de Denis Villeneuve (“Incêndios”) está longe de ser um filme perfeito graças a um roteiro que constrói toda uma estrutura narrativa desonesta para tentar fugir do maniqueísmo tão comum ao cinema comercial hollywoodiano. De um lado, a produção erra ao se apoiar demais nesse roteiro cheio de furos e reviravoltas milimetricamente calculadas, de outro, acerta graças a direção firme e tensa que Villeneuve emprega ao longa, amparado pela fotografia magistral de Roger Deakins e pelo elenco dos deuses liderado por Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal. Villeneuve e o elenco sabem conduzir com louvor os dilemas morais propostos pelo filme, empregando tensão e colocando o espectador em uma posição desconfortável. Mas todo esse esforço se perde um pouco diante desse roteiro amarradinho demais e propositalmente polêmico. De qualquer forma, Jackman e Gyllenhaal se entregam de corpo e alma a seus personagens e são os grandes responsáveis pela condução desse exercício de tensão que ganha pontos ao tentar fugir (mesmo que, às vezes, sem sucesso) de uma visão mais moralista.

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