Pílulas

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O Grande Mestre – Depois do fraco “Um Beijo Roubado”, esperava-se mais do retorno de Wong Kar-Wai à tela grande, mas “O Grande Mestre” consegue ser ainda mais fraco que o trabalho anterior do cineasta chinês. Kar-Wai ainda sabe filmar como poucos, misturando câmera lenta e música para criar imagens de deixar qualquer um babando (a produção recebeu indicações à melhor fotografia e figurino), mas narrativamente não consegue sustentar a pretensão de uma produção que quer ser épica, histórica, romântica, melodramática e de ação. O resultado é um longa chato, cansativo e que só se sustenta graças à fotografia caprichada e à coreografia das lutas, muito bem encenadas. Depois de tanto tempo longe das telas e voltando a um tipo do filme que o consagrou no início da carreira, Kar-Wai fica devendo mais uma vez.

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Nóe – O maior mérito de Darren Aronofsky é evitar que esse épico bíblico seja uma grande tragédia. O roteiro não amarra a contento a variedade de gêneros que a produção quer abraçar (épico, filme catástrofe, drama familiar, produção com pitada religiosa). O elenco parece desconfortável (o carisma de Russell Crowe e o empenho de Emma Watson destoam da beleza vazia de Jennifer Connelly e Douglas Bloom, da apatia de Logan Lerman e da vilania clichê de Ray Winstone). E os efeitos especiais são apenas ok diante da grandiosidade propostas pelo filme. Mas, ainda assim, o longa é envolvente e tem uma edição que impede que as 2h20 minutos se arrastem sem fim. Mesmo se saindo melhor na parte épica e catastrófica, demonstrando que Hollywood sabe oferecer um espetáculo como ninguém, “Nóe” não deixa de ser o elo mais fraco na ótima carreira de Aronofsky (sim, eu gosto de “A Fonte da Vida”).

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Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” poderia descambar pelo caminho pobre dos filmes adolescentes nacionais ou o da mera repetição, já que é inspirado em um curta-metragem do mesmo diretor e com o mesmo elenco. Mas o diretor Daniel Ribeiro consegue fugir desse infeliz destino e entrega um longa-metragem fofo, delicado e todo amarradinho sem cair na armadilha de reproduzir clichês e estereótipos que, supostamente, agradam a geração que assiste ao seriado global “Malhação”, na teria, o público-alvo da produção. Ainda que não seja o grande filme memorável que todos esperavam, que tenha lá suas gorduras (a subtrama do intercâmbio pouco acrescente à narrativa) e que repita, sim, algumas situações e diálogos do curta “Eu Não Quero Voltar Sozinho”, a química e o amadurecimento do elenco como atores e o desenvolvimento de temas antes apenas sugeridos tiram de letras esses pequenos incômodos.

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