X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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A saga dos X-Men no cinema é a mais irregular possível. E a saga dos X-Men no cinema é a melhor de todas. Mesmo não mantendo o equilíbrio entre uma produção e outra e, muitas vezes, errando ao alterar as tramas dos quadrinhos e reescrever a história dos personagens, os mutantes são os mais interessantes da já saturada leva de filmes de super-heróis. O mérito é dos próprios personagens (sejam eles heróis ou vilões) e daqueles que conseguiram manter a essência das histórias na tela grande, ainda que muitas modificações incomodem e/ou não se justifiquem (Raven e Xavier amigos de infância, really?).

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é inspirado em uma das melhores tramas do grupo e traz de volta ao comando da saga Bryan Singer, dono do melhor longa da franquia (“X-Men 2”). O resultado é um belo filme que consegue amarrar a trilogia original ao ótimo prequel que conta o nascimento na equipe. Claro que o longa tem seus problemas, mas o conceito dele segue direitinho a lógica dos quadrinhos e funciona muito bem na tela grande. Se não supera as expectativas criadas pela massiva campanha de marketing ou pela própria trajetória dos heróis no cinema, está bem longe de ser um vexame (vide “X-Men: O Conflito Final” ou os filmes-solo do Wolverine).

Singer, que não dirigiu uma só boa produção depois de ter abandonado os mutantes, assume à cadeira de diretor, coloca ordem na casa e recupera parte do seu prestígio perdido em filmes como “Superman – O Retorno” e “Jack, o Caçador de Gigantes”. O cineasta mistura muito bem um tom mais melancólico característico dos heróis vistos como párias e/ou algozes com uma pegada épica que casa com a grandiosidade das cenas de ação.

Nesse embate entre conteúdo e espetáculo, quem ganha são os fãs e o espectador comum. “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” é nostálgico, épico, emocionante, avassalador, complexo e muito bem realizado. A trama que gira em torno de viagens no tempo (a história original inspirou nada menos que James Cameron a criar “O Exterminador do Futuro”) poderia resultar em uma bagunça só no cinema, mas Singer mantém o controle mesmo nos momentos em que o filme escorrega (nunca é explicado, por exemplo, de onde Kitty Pride conseguiu poderes para manipular consciências no tempo/espaço).

As cenas de ação e destruição são muito bem orquestradas. O elenco cheio de rostos conhecidos do passado e novos nomes (com destaque para o Mercúrio de Evan Peters, dono da melhor cena de ação do longa) dá conta do recado e é responsável pelo coração e carga dramática do filme. E a narrativa, ainda que privilegie os eventos que acontecem no passado, consegue balancear muito bem os muitos elementos que tomam conta das 2h11 de duração. A fotografia aqui também ganha destaque em cenas de sombras, luzes, silhuetas e formas que ajudam e muito a plateia a entender os personagens.

E em meio a batalhas, explosões, efeitos especiais, uniformes, sentinelas, passado, futuro, mortes e renascimentos, os mutantes são a grande força da franquia. Ainda que as produções não estejam no mesmo patamar de perfeição de outras séries de super-heróis (a direção de arte e os figurinos muitas vezes aparentam ser fakes) e o tom fantástico vá de encontro ao realismo adotado nos filmes da DC Comics, por exemplo, são os conflitos emocionais dos personagens que tornam a franquia tão interessante. Mais do que deuses ou heróis e vilões com super-poderes, os mutantes estão mais próximos de nós graças a questões importantes que permeiam todas suas histórias: preconceito, intolerância e medo.

São mutantes demais, é verdade, alguns com pouco ou quase nada a fazer. O final é muito amarradinho e explicativo (a HQ termina de modo totalmente aberto). Mas quem se importa? Resumindo, já quero ver X-Men: Apocalipse, que estreia em maio de 2016.

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