Missão: Impossível – Acerto de Contas – Parte Um

Não deixa de ser engraçado uma franquia que tenha tanto apego à tecnologia, seja por meio dos efeitos especiais ou das bugingangas eletrônicas usadas pelos personagens, escolher justamente a tecnologia como vilã em “Missão: Impossível – Acerto de Contas – Parte Um”. Ainda que a “Entidade” nos seja apresentada pelo rosto de Esai Morales, ela nada mais é do que uma inteligência artificial que ganha consciência e quer dominar o mundo. Mas não esperem os andróides de “O Exterminador do Futuro”, e sim uma espécie de algoritmo anabolizado, o mesmo que escolhe nossas músicas e filmes no Spotify e na Netflix, só que aqui com uma ambição bem maior.

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A primeira cena, talvez a mais fraca da franquia ao simplesmente não usar o charme e a energia de Tom Cruise, já mostra o poderio da IA estabelecendo a trama que mistura muito bem ação, humor (aqui bem mais presente do que nos episódios anteriores) e tramoias características das tramas de espionagem. Diante da escala épica que a franquia foi ganhando ao longo dos anos, até podemos ter esquecido, mas a marca e a essência de “Missão: Impossível” (poucos lembram, mas os filmes são baseados em uma série de TV dos anos 1960) são as tramas de espionagem, não o cinema de ação.

Esse novo episódio, ou metade de um, já que a trama é dividida em duas partes, se aproveita muito bem disso, tentando, ainda que raras vezes, dar um descanso no ritmo frenético da ação para desenvolver melhor o plot colocando heróis e vilões cara a cara. O problema é que esse mesmo plot nunca realmente convence, parecendo mais uma desculpa boba para Tom Cruise salvar o mundo nos últimos segundos mais uma vez. A questão é que, dessa vez, ele não salva e o longa apenas promete uma conclusão ainda mais bombástica para a parte dois da produção a ser lançada no próximo ano.

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A falta de um desfecho deixa, no entanto, mais uma sensação de desapontamento do que propriamente gerar expectativa para a próximo passo da franquia. Mas pelo menos “Missão Impossível: Acerto de Contas – Parte Um” entrega o que promete em uma produção com a ação orquestrada de modo magistral nas mãos competentes mais uma vez de Christopher McQuarrie, que assumiu a franquia para si em “Missão: Impossível: Nação Secreta”.

É uma pena, porém, que apesar do ritmo frenético e das sequências explosivas (a melhor é a perseguição de carros), a franquia siga apegada demais à sua própria estrutura narrativa, com a equipe de Ethan Hunt novamente agindo por conta própria. O longa ainda peca também pelo excesso de jogadas de roteiro que ora parecem forcadas (como a insistência da ladra Grace em fugir) ou pelo uso constante de vários momentos deus ex machina que cansam um pouco.

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Com essa trama de vais e vens que parecem excessivos, em especial em uma produção que, mesmo apelando para o humor, assume um tom sério demais, “Missão: Impossível – Acerto de Contas – Parte Um” parece dar passos maiores do que as próprias pernas. O filme, por exemplo, descarta um de seus personagens mais interessantes, o que só mata a expectativa para a segunda parte, e termina de maneira quase anticlimática, ainda que a cena do trem seja realmente espetacular (mesmo que brigas em cima de trens tenham virado um clichê ambulante das produções de ação).

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Diante dessa competência um tanto no piloto automático e de boas atuações (a ala feminina do elenco parece bem mais empenhada do que a masculina), “Missão: Impossível: Acerto de Contas – Parte Um” pode ser resumido muito bem pela sua cena-marca, Tom Cruise saltando de uma moto em uma montanha. É uma cena empolgante e bem-feita, mas totalmente gratuita e feita apenas para esticar ainda mais a tensão. Em uma produção que bate 2h40, parece demais e espetáculo apenas pelo espetáculo, faltando uma certa emoção para equilibrar o barulho como nos dois (e melhores) episódios anteriores.

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