Maestro


Diante da trajetória de Bradley Cooper, de ator de comédias irrelevantes (como a trilogia “Se Beber, Não Case!“) a diretor de um filme elogiado e indicado ao Oscar, é compreensível a gana do rapaz em provar constantemente seu talento. Seguindo os passos do insosso “Nasce uma Estrela”, “Maestro” é o próximo passo nessa empreitado por respeito do ator-diretor-produtor. 

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Produzido pela Netflix de olho no Oscar 2024, o longa é uma suposta cinebiografia sobre Leonard Bernstein, um dos regentes e compositores mais conhecidos do século XX, responsável, entre outros, pela trilha sonora de “Amor, Sublime Amor”. Mas Bradley Cooper parece, no entanto, menos interessado em desvendar quem é essa figura e mais em refletir sobre a estranha relação entre ele e a esposa (Carey Mulligan), que sabia que o músico se relacionava também com homens. 

Querendo provar que tem uma visão estética elaborada, Cooper transforma “Maestro” em uma bela experiência visual, graças à fotografia estilosa de Matthew Libatique (o mesmo de “Nasce uma Estrela”). Mas o que o longa tem de bonito, tem também de perdido, com o diretor pulando de gênero em gênero sem muita razão: “Maestro” começa quase como um musical, vira um drama matrimonial e termina como “filme sobre doença”, sem nunca realmente causar nenhuma emoção no espectador. 

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Se Bradley Cooper parece acertar em não apostar em uma cinebiografia convencional de um lado, por outro, o filme fica apenas na superfície quando tenta focar no talento artístico de Leonard Bernstein, parecendo uma sucessão de notas de Wikipedia quando o foco é o artista. Essa abordagem gera ainda uma série de cenas soltas que existem apenas para provar a capacidade de atuação de Cooper, que exagera no sotaque, na voz e nas expressões faciais soterradas por trás de uma maquiagem que ora funciona, ora não.

Longe de ser um filme ruim, “Maestro” acontece, mas mostra um diretor cheio de si que parece ter muito mais a mostrar, esteticamente falando, do que dizer em termos narrativos. Cooper acerta, no entanto, ao entregar o longa a Carey Mulligan, a única capaz de gerar alguma emoção em uma produção fria e distante. Ao contrário de Lady Gaga em “Nasce uma Estrela”, cuja atuação parecia ser construída na edição, Mulligan ganha longos closes em que a atriz domina a tela e demonstra seu talento. Talvez, “Maestro” fosse um filme melhor se fosse sobre Felicia Bernstein ou não tivesse o peso de ser uma cinebiografia. 

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Mal comparando, “Tár”, sobre uma regente fictícia, é bem melhor do que “Maestro”. Visto na Mostra de Cinema de SP, o filme entra em cartaz nos cinemas e na Netflix em dezembro.

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