
David Fincher foi um dos primeiros grandes diretores a abraçar a Netflix, tendo dirigido episódios para a série “House of Cards” lá em 2013 (ele também dirigiu eps da série “Mindhunter” entre 2017 e 2019, além de também lançar pelo streaming seu projeto mais pessoal, com roteiro do próprio pai, “Mank“). Três anos depois do pretensioso e fraquinho longa filmado em preto & branco, o diretor volta ao streaming com um trabalho de cunho mais comercial.
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Baseado em uma graphic novel, “O Assassino” marca o retorno de Fincher ao gênero que o consagrou, os thrillers. O longa acompanha os passos de um assassino profissional que se mete em uma enrascada depois de errar o alvo em uma missão. Sem nenhuma pretensão, mas com seu habitual esmero técnico, o filme lembra o trabalho mais despretensioso do diretor, o ótimo “O Quarto do Pânico“. Fincher até coloca o protagonista para questionar o mundo atual, com um niilismo bem característico de sua obra. Mas o próprio cineasta parece mais interessado em brincar com a câmera do que propriamente refletir sobre o mundo.

“O Assassino” começa quase como um “Janela Indiscreta“, com Michael Fassbender explicando que é preciso ter paciência para executar sua profissão de assassino por encomenda enquanto observa pela janela a vida do prédio da frente. Meticuloso, o assassino de múltiplos nomes aparece entediado enquanto espera o momento certo para cumprir sua tarefa. O momento chega e ele erra o tiro desencadeando a narrativa de um filme nervoso e filmado com a precisão cirúrgica de David Fincher.
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Dividido em capítulos, “O Assassino” não ousa nem em termos de estrutura ou narrativa, parecendo ser um tanto convencional para um cineasta do calibre de Fincher. Mas se o resultado passa longe da genialidade mostrada em produções como “Seven“, “Clube da Luta” e “A Rede Social“, o diretor segue como um dos nomes visualmente mais interessantes da Hollywood atual, entregando um filme de ritmo ágil, com edição caprichada e fotografia eficiente que contribuem para o clima nervoso da narrativa.

Ainda que divertido e eficiente, “O Assassino” não deixa de ser um pouquinho decepcionante para quem espera mais ousadia de Fincher, especialmente porque a trama parece não apenas convencional como um tanto boba. Além do esmero estético, resta também o elenco comandado por Fassbender e com pequenas participações da sempre ótima Tilda Swinton e da brasileira Sophie Charlotte fazendo praticamente nada.
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“O Assassino” está em cartaz nos cinemas e estreia na Netflix dia 10 de novembro.
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