Mank

Eu amo o trabalho de David Fincher. Da estética exuberante de videoclipes como “Vogue”/”Express Yourself”, da Madonna, e “Freedom 90”, do George Michael, à narrativa sofisticada de filmes como “Seven”, “Clube da Luta” e “A Rede Social”, a obra de Fincher sempre me lembra por que o audiovisual me fascina.

Infelizmente, apesar de ser um bom filme, “Mank” é o trabalho do diretor que menos me arrebatou. Nem o desbunde da fotografia em P&B ou mesmo a narrativa que vai e volta no tempo para criticar/homenagear a Hollywood da época de ouro conseguiram me deixar de queixo caído ou intrigado como até trabalhos considerados “menores” do cineasta (caso dos suspenses “Vidas em Jogo” e “O Quarto do Pânico”).

Garota Exemplar

Talvez a maior questão de “Mank” seja o excesso de pretensão, com a Netflix bancando o cineasta no módulo mais autoral possível sem nenhum freio (caso semelhante a Martin Scorsese em “O Irlandês”). Mergulhado em um P&B que remete ao cinema hollywoodiano dos anos 1940, Fincher se debruça sobre o processo de criação do roteiro do clássico dos clássicos “Cidadão Kane”, focando nas relações do roteirista Herman Mankiewicz com os personagens que inspirariam a própria trama do longa do jovem gênio Orson Welles.

Se no papel a ideia é boa, no filme resulta quase desinteressante com o vai e volta sem muita lógica da trama. Não há, por exemplo, muita contextualização dos personagens e fica quase difícil realmente acompanhar o desenrolar dos fatos ou mesmo se interessar pelas personagens, em especial o protagonista (Gary Oldman sendo Gary Oldman), que passa boa parte do longa deitado em uma cama.

Apesar de suntuosa, a produção carece, inclusive, da verve estética exacerbada e do vigor narrativo característico do diretor, com apenas uma grande cena se destacando nesse quebra-cabeça narrativo (mas nada, por exemplo, diferente do que Fincher já mostrou em clipes como “Vogue” ou “Suit & Tie”, de Justin Timberlake).

Muitas vezes criticado por um esmero estético que leva a um certa frieza e distanciamento, Fincher mostra em “Mank” que, sim, às vezes, o seu trabalho pode ser calculado demais. Mas o filme é bom, apenas eu que esperava mais de um dos meus cineastas favoritos.

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