Julianne Moore: 60 anos em 6 filmes

A indústria de Hollywood é engraçada. Em 1992, Rebecca De Mornay e Annabella Sciorra fizeram sucesso com o típico thriller da década de 90 “A Mão que Balança o Berço”. Entre os coadjuvantes do longa, uma atriz pouco conhecida que interpreta a amiga da mocinha que desconfia da vilã e, claro, acaba morta. O nome da atriz? Julianne Moore, hoje uma das atrizes mais talentosas e premiadas de sua geração. Já Rebecca De Mornay e Annabella Sciorra praticamente sumiram do mapa e viraram nota de rodapé em Hollywood.

O percurso entre o anonimato e a aclamação não foi tão longo, ainda que Moore tenha aceitado papéis em vários projetos duvidosos, como o thriller erótico protagonizado por Madonna (“Corpo em Evidência”), pontas no sucesso “O Fugitivo” e mais espaço em bobagens como a comédia “Nove Meses” (ao lado de Hugh Grant) e no filme de ação “Assassinos” (com Antonio Banderas e Sylvester Stallone).

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Em meio a filmes mais comerciais na década de 90 (como a primeira continuação de “Jurassic Park”: “O Mundo Perdido: Jurassic Park”), a atriz fez seu nome em obras abraçadas pela crítica, como “Short Cuts”, de Robert Altman, o teleteatro “Tio Vanya em Nova York” e sua primeira contribuição com o visionário Todd Haynes (“Mal do Século”). Em 1997, a atriz receberia a primeira de cinco indicações ao Oscar, como atriz coadjuvante em “Boogie Nights”.

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O resto é história. A atriz colecionou prêmios e papéis em filme de cineastas consagrados como Paul Thomas Anderson, Todd Haynes, Gus Van Sant, os Irmãos Coen, James Ivory, Tom Ford, Neil Jordan, Ridley Scott, Stephen Daldry, Alfonso Cuáron, Fernando Meirelles, Atom Egoyan, David Cronenberg, Sebastián Lelio e Julie Taymor. Não sem, claro, deixar vestígios em uma série de filmes bem ruins: “Evolução”, “Os Esquecidos”, “Hannibal”, “Chegadas & Partidas”, “Leis da Atração”, “O Vidente”, o remake de “Carrie”, “O Sétimo Filho”, “Identidade Paranormal”, entre outros.

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Com um Oscar nas mãos pelo drama “Para Sempre Alice”, um Emmy pelo telefilme político “Virada do Jogo” e uma extensa filmografia, a atriz completa 60 anos neste 3 de dezembro. Eis os meus seis filmes preferidos de Julianne Moore:

Antes, um dos melhores vídeos do Youtube de todos os tempos:

Mal do Século (1995) – Esse filme de Todd Haynes foi um dos primeiros a nos dar vislumbre da Julianne Moore que temos hoje. Aqui, como protagonista central do longa, ela interpreta uma dona de casa abastada que, de repente, se vê doente, com uma espécie de alergia ao meio-ambiente. Haynes não oferece respostas e nem dá à personagem uma redenção, entregando um filme estranho e incômodo. Moore vive com vontade essa mulher descolada da realidade, mostrando uma fragilidade que poderia ser vista novamente em outras de suas personagens mais famosas.

Boogie Nights (1997) – Em sua primeira colaboração com o talentoso Paul Thomas Anderson, Julianne Moore vive uma atriz pornô que sofre com a distância do filho, virando uma espécie de mãe de uma equipe que vive o auge e a decadência da indústria pornográfica no final dos anos 70 e começo dos anos 80. Anderson pega emprestada a estrutura dos filmes-mosaico de Robert Altman e cria um filme vigoroso sobre uma ala praticamente renegada da indústria cinematográfica, com direito a um ótimo elenco e uma câmera nervosa que nunca desvia dos personagens à margem da sociedade que pululam pelo longa.

O Preço da Traição

Magnólia (1999) – Depois de “Boogie Nights”, Paul Thomas Anderson criou essa obra-prima, uma ópera lindamente orquestrada e dirigida com vigor sobre abuso, arrependimento e culpa. Mais uma vez criando um filme-mosaico que divide sua narrativa entre nove personagens totalmente fudidos, o longa é um desfile de bons atores proclamando os melhores diálogos (Julianne Moore merecia um Oscar por cada uma de suas cenas; e Tom Cruise nunca esteve tão bem) em meio a uma aula de direção, edição e roteiro. Para mim, a produção segue como a grande declaração de Anderson de amor à sétima arte.

Fim de Caso (1999) – Nesse drama eficiente dirigido por Neil Jordan, Julianne Moore vive uma mulher casada e católica que acaba se envolvendo amorosamente com Ralph Fiennes. Apesar de ser um melodrama convencional, o filme se beneficia da ótima química entre Moore (indicada ao Oscar) e Fiennes e da direção eficiente de Jordan. A produção segue a linha de romances trágicos como “O Paciente Inglês”, mas com uma encenação menos épica.

Para Sempre Alice

Longe do Paraíso (2002) – Outra obra-prima e declaração de amor ao cinema que tem Julianne Moore no elenco, o filme de Todd Haynes é uma clara homenagem aos melodramas de Douglas Sirk. Na trama, Moore vive uma dona de casa que vê seu mundo virar pelo avesso ao descobrir que seu marido (um ótimo Dennis Quaid) tem um amante. Abandonada pelo marido e envolta em uma fotografia e produção de arte dos sonhos, essa mulher tenta a todo custo manter as aparências. Moore foi indicada ao Oscar por um de seus melhores papéis.

Gloria Bell (2019) – Sebastian Lelio não é o primeiro, nem será o último, cineasta a dirigir um remake hollywoodiano de sua própria obra. Nesse “Gloria Bell”, o diretor chileno não inova em nada e segue à risca o seu filme original de 2013, com a diferença de que este aqui não é nada sútil (a ótima trilha sonora praticamente “explica” o que a personagem está sentindo) e não tem o contexto histórico do Chile como pano de fundo. Mesmo sendo inferior ao original (o longa deve funcionar muito mais para quem não viu a produção chilena), o filme segue leve e ganha pontos por ser um verdadeiro star vehicle para a maravilhosa Julianne Moore, que dança, canta e interpreta uma personagem forte e bem construída com seu talento e desenvoltura habituais

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