The Undoing

Eu amo o cinema de suspense dos anos 1990, de clássicos como “O Silêncio dos Inocentes” ou “Seven, Os Sete Crimes Capitais”, até aqueles filmes mais genéricos como “Mulher Solteira Procura”, “Instinto Selvagem” ou “Cabo do Medo”. Mas estamos em 2020, e esse tipo de produção só funciona quando pensamos no contexto do cinema da década de 90.

Esse é um dos problemas de “The Undoing”, minissérie de suspense da HBO. Criada por David E. Kelly (de “Big Little Lies”), a produção deixa claro seu apego às narrativas noventistas para contar a trama de uma família abastada que se vê envolvida em um caso de assassinato brutal. E. Kelly tenta dar um ar sofisticado à minissérie, chamando uma diretora renomada (Susanne Bier) para cuidar das escolhas estéticas e escalando um elenco de astros para dar credibilidade ao casal de protagonistas (no caso, uma Nicole Kidman e um Hugh Grant com uma ótima química). Pena que todo esse esmero caia por terra graças a um roteiro ruim e que não faz muito sentido.

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Hugh Grant é um médico renomado casado com a terapeuta de sucesso vivida por Nicole Kidman. Os dois se metem em uma trama de assassinato da amante de Grant, um acontecimento que se transforma em um circo midiático e termina em um julgamento. Mas nada é o que parece ser, com os dois personagens agindo de forma suspeita e do modo mais incoerente possível.

Para criar o clima de suspense, ao longo dos seis episódios, Bier e E. Kelly vão entregando uma série de pistas falsas e reviravoltas na narrativa. O problema é que elas não levam a lugar nenhum, servindo apenas para dar um tom novelesco à minissérie e deixando claro a falta de coerência e desenvolvimento das personagens. O resultado, às vezes, é arrastado, com várias cenas contemplativas de Nicole Kidman andando perdida por Nova York, às vezes, um tanto bagunçado, com peças sem abandonadas pelo caminho e personagens sendo descartados (em especial o detetive vivido por Edgar Ramírez e a advogada dondoca interpretada pela ótima Lily Rabe).

Diante de uma trama que começa óbvia e termina mais óbvia ainda, resta apreciar o que “The Undoing” tem de melhor para oferecer: as atuações. Nicole Kidman está bem, mas a atriz acaba sendo prejudicada pela própria personagem mal escrita. Hugh Grant segue a mesma linha, saindo um pouco da sua zona de conforto, mas o ator também sofre com as incongruências do roteiro. A grande revelação é mesmo Noah Jupe, que interpreta o filho do casal e é quem se sai melhor mesmo quando está diante de atores bem mais experientes, como Kidman, Grant e Donald Sutherland.

Com uma trama bem genérica e uma abordagem um tanto formulaica (por vezes, as cenas desfocadas e a encenação sofisticada lembram a própria “Big Little Lies”), a minissérie funciona como um passatempo razoável, mas deixa a desejar, em especial seu final apressado. Talvez os envolvidos teriam mais sorte se “The Undoing” fosse mesmo um filme de suspense lançado nos anos 1990.

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