Matt Damon: 50 anos em 5 filmes

Matt Damon começou a carreira com papéis pequenos em filmes tão dispares como o drama adolescente “Código de Honra”, o western “Gerônimo” e o drama de ação “Coragem Sob Fogo”. Em 1997, a sorte do ator mudou com dois longas, um que fez relativo sucesso dirigido por Francis Ford Coppola (“O Homem que Fazia Chover”) e um outro que colocaria ele e o diretor Gus Van Sant no mapa do Oscar e de Hollywood: “Gênio Indomável”. Um ano depois, Damon já estava no elenco de uma produção de Steven Spielberg (“O Resgate do Soldado Ryan”).

Não demorou muito e Matt Damon, dono de um carisma que fica evidente na tela grande, virou um dos nomes mais disputados da indústria cinematográfica, protagonizando filmes de prestígio (como o ótimo “O Talentoso Ripley” e outros que não deram muito certo, tipo “Lendas da Vida” e “Espírito Selvagem”) e virando um rosto carimbando na obra de cineastas como Gus Van Sant, Steven Soderbergh, Paul Greengrass, Clint Eastwood e Ridley Scott.

Com três indicações aos Oscar por atuações e um prêmio como roteirista, de galã iniciante a ator de respeito disputado por grandes diretores (Martin Scorsese, George Clooney, Alexander Payne, Cameron Crowe, Christopher Nolan, Terry Gilliam, Zhang Yimou, os irmãos Cohen), Matt Damon chega nesse 8 de outubro aos 50 anos. Eis meus 50 dias em 5 filmes dele:

Gênio Indomável (1997) – Cansado da falta de oportunidades, Matt Damon chamou o amigo Ben Affleck e escreveu a quatro mãos o roteiro desse drama sobre um jovem gênio de passado conturbado que tem problemas com apego e confiança. Vinte e três anos depois do seu lançamento, o filme soa ainda mais ingênuo, tocando de forma leve em temas como medo do abandono, conformismo e frustração profissional (no caso, os problemas das brigas de ego e da vaidade acadêmica). Mas a direção delicada de Gus Van Sant, aqui abraçando uma narrativa mais convencional, e o bom elenco compensam o roteiro simplista vencedor do Oscar. Enquanto Minnie Driver faz bom uso do charme inglês e Robin Williams aposta na honestidade e sensibilidade, Damon enche a tela com carisma e consegue criar empatia mesmo interpretando um personagem arrogante e sempre na defensiva.

O Talentoso Ripley (1999) – Eu AMO um filme e ele se chama “O Talentoso Ripley”, um dos grandes filmes da ótima safra 1999. Acho tudo nele perfeito, da encenação suntuosa e solar ao elenco exalando beleza e carisma. Anthony Minghella deixa de lado o tom épico de “O Paciente Inglês” e abraça uma abordagem mais sensual que começa leve e se torna melancólica e sombria ao misturar admiração, inveja, ciúme e desprezo. De forma sutil, o longa ainda explora uma certa dinâmica feudal nas diferenças de classe (apesar de “desprezarem” o dinheiro, as personagens abastadas olham com indiferença o pobretão Tom Ripley). O elenco é um caso à parte. Do bronzeado de Jude Law à fragilidade de Gwyneth Paltrow, da arrogância de Philip Seymour Hoffman à luminosidade de Cate Blanchett, todos estão perfeitos. Mas o filme é mesmo de Matt Damon em seu melhor papel. O fato dele não ter sido indicado pelo filme é um dos grandes erros do Oscar.

Franquia Bourne (2002 – 2016) – Em 2002, Matt Damon não era visto como um ator de ação, mas parte do sucesso da franquia do espião/assassino profissional sem memória é dele. “A Identidade Bourne” e, posteriormente, “A Supremacia Bourne” ajudaram a remodelar o gênero para os anos 2000, trazendo uma roupagem mais realista e madura para esse tipo de produção, apostando ainda em uma edição frenética e ritmo ágil. Sem Jason Bourne, o mundo não teria o 007 de Daniel Craig. Ainda que a trama dos filmes seja cheia de idas e vindas, as produções estão mais interessadas em empregar um senso de urgência que domina as sequências de ação e as lutas muito bem coreografadas, em especial a dos episódios dirigidos pelo mestre Paul Greengrass. O resultado é a melhor franquia do novo milênio, com Damon no total comando de sua presença de tela.

Perdido em Marte (2015) – Trabalhando em um registro menos épico e mais leve e despretensioso, inclusive fazendo uso de humor, o cineasta Ridley Scott cria um filme emocionante sobre a batalha contra o tempo para resgatar um astronauta perdido em Marte por causa de um acidente. Ainda que a narrativa reveze entre as dificuldades do astronauta sozinho no planeta vermelho e os obstáculos encontrados pela NASA para resgatá-lo, Matt Damon é o dono do filme, fazendo o máximo uso de seu carisma e talento em um personagem bem-humorado e divertido. A produção ainda é linda de se ver, com um 3D muito bem empregado e que amplia a dimensão da solidão e isolamento sentidos pela personagem de Damon. E algumas sacadas são muito boas, como as referências pop e a trilha sonora que destoa daquilo que esperamos em relação a um longa de ficção científica. O longa ainda abre espaço para uma leitura política, usando o resgate como um catalizador da união do mundo em torno da preservação de uma vida, algo quase utópico em tempos de ódio e preconceito.

Ford e Ferrari (2019) – Um dos poderes do bom cinema é pegar um tema que não te interessa em nada e mesmo assim transformá-lo em algo que te emociona. É o caso desse filme que gira em torno de automobilismo dirigido lindamente pelo James Mangold. Em seu melhor trabalho, o diretor usa tudo o que Hollywood tem a oferecer para criar um espetáculo que é puro entretenimento. Os recursos estão todos lá no lugar certo (um design de som dos deuses, uma edição precisa, uma trilha sonora certeira, um elenco carismático) em prol da história envolvente e de uma produção de encher os olhos. O filme é dominado por Christian Bale, mas Matt Damon também é responsável pelo sucesso da produção que gira em torno da amizade entre os dois personagens em meio a brigas entre duas marcas de carros.

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