
Mal comparando, “Zona de Interesse” lembra, inicialmente, “O Menino de Pijama Listrado“, mostrando o dia a dia de uma família que vive ao lado de um campo de concentração nazista, aqui, no caso, Auschwitz, na Polônia. Mas Jonathan Glazer está menos interessado em fazer mais um filme meloso sobre o holocausto e prefere apostar em uma narrativa seca e crua sobre o mal por trás do Nazismo, focando no “cidadão do bem” que, em causa própria, fechou os olhos para a barbaridade que estava acontecendo.
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Advindo do universo dos videoclipes e da publicidade (ele dirigiu clipes de bandas como Blur, Massive Attack, Radiohead e Jamiroquai), Glazer usa sua habilidade estética (já presente também em longas como “Reencarnação” e “Sob a Pele“) para criar um filme plasticamente bonito e que não coloca em primeiro plano os horrores da guerra.
Ao contrário, com uma câmera distante que mal nos permite ver o rosto dos protagonistas, o cineasta mostra da forma mais direta possível como os sons de tiros e gritos ou a fumaça de corpos queimados que sai das chaminés não afetam a banalidade das ações dessa família.

A dureza estética de uma câmera que mal se mexe e de uma fotografia límpida e clara reflete o próprio comportamento dos personagens dessa família de um dos comandantes do campo de concentração. Entre visitas, refeições e comemorações, Jonathan Glazer apresenta uma família aparentemente comum.
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Mas, por trás dessa normalidade, o diretor revela a natureza dos personagens em pequenos atos, na forma como a mulher (uma austera Sandra Hüller) experimenta o casaco que “ganha” de uma judia ou mesmo como ela ameaça uma empregada depois de se sentir contrariada. O que importa para eles são os pequenos privilégios, como o jardim que encobre o muro do campo de concentração e a possibilidade de a família manter a bela casa mesmo diante da transferência do pai (Christian Friedel) para outro campo.

Dono de um cinema estranho que não se rende a clichês narrativos, Jonathan Glazer explora esse viés de forma ainda mais emblemática em “Zona de Interesse“. Quase não há trama ou mesmo conflitos nesse exercício de frieza que passa de forma lenta e angustiante, ainda que a tensão surja toda a partir dos sons do que não é mostrado na tela, enquanto o trivial banha as imagens com um ar quase idílico.
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Mas de idílico “Zona de Interesse” não tem nada. Em determinado momento, Jonathan Glazer interrompe a narrativa e surpreende o espectador com uma sequência de imagens que mostra de forma ainda mais banal o horror do holocausto. O resultado não é só chocante, mas se torna ainda mais assustador nesse momento atual quando Israel assume o manto da nação de extrema-direita fascista que tem como objetivo dizimar um povo (no caso, o povo palestino). O horror, o horror!
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