
Todd Haynes é um gênio e um dos grandes cineastas estadunidenses, dono de obras-primas como “Velvet Goldmine”, “Longe do Paraíso” e “Carol”. Depois de dirigir o seu trabalho mais genérico e esquecível (“O Preço da Verdade”) e se aventurar pelo universo dos documentários em “The Velvet Underground”, o diretor volta ao seu habitual brilhantismo em “Segredos de um Escândalo”.
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Usando como inspiração o caso real de uma professora que engravida de um garoto de 12 anos e se casa com ele depois de ser presa por estupro de vulnerável, o filme cria uma situação no futuro em que a trama servirá como base para uma produção de cinema que contará a história.
Entra em cena Natalie Portman, que vive a atriz que interpretará Julianne Moore, a mulher que estuprou o garoto de 13 anos e que ainda vive com ele 23 anos depois. É a partir da relação entre essas duas mulheres que “Segredos de um Escândalo” se desenrola, com Haynes bebendo na fonte de produções tão díspares quanto “Persona”, “Mulher Solteira Procura” e “Notas de um Escândalo”.

Um mestre do melodrama e do artificialismo, Haynes se apropria mais uma vez do gênero, aqui em um tom bem mais cômico, para narrar a relação entre essas duas mulheres que não se conhecem, mas vivem reféns das aparências. Dirigindo tudo como se estivesse comandando um novelão datado, o cineasta foge do naturalismo e se entrega ao exagero, construindo um filme delicioso que sobe o tom sempre que possível.
Julianne Moore e Natalie Portman compram a premissa “over the top” de Haynes e estão simplesmente maravilhosas em um filme que passeia muito bem tanto pelo drama quanto pela comédia. Ainda que o longa seja brilhante em seu todo, com um roteiro impecável e uma direção envolvente, são as cenas em que as duas se encontram que sustentam o filme.
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Habitual parceira de Haynes, já tendo trabalhado com ele em “Mal do Século”, “Longe do Paraíso”, “Não Estou Lá” e “Sem Fôlego”, Julianne Moore constrói uma personagem que passeia sem reservas pela inocência e pela manipulação. Já Natalie Portman (trabalhando pela primeira vez com Haynes) se joga no artificialismo, exagerando nas caras e bocas enquanto tenta mimetizar a personagem de Moore.
Em meio a um jogo de tensão quase passivo-agressivo entre as duas, Haynes constrói cenas geniais emolduradas por espelhos, seja quando as duas observam a filha de Moore escolher um vestido, seja quando Moore ensina Portman a se maquiar. O resultado é tão divertido quanto revelatório da personalidade dessas duas mulheres que se dividem entre o papel de vítimas e algozes.
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Ainda que o longa beba na fonte do dramão, o roteiro está menos interessado em explorar o sensacionalismo da relação entre Moore e do jovem Charles Melton (de “Riverdale”). Sem um grande conflito ou um final que entregue respostas ao espectador, “Segredos de um Escândalo” parece quase uma paródia de si mesmo, uma paródia perfeita e uma das melhores coisas que vi em 2023.
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