Companheiros de Viagem

Em determinado momento da minissérie “Companheiros de Viagem”, a personagem de Allison Williams (de “Girls” e “Corra!”) conta uma lembrança para o então noivo vivido por Matt Bomer (de “Maestro“). Em uma viagem pela Europa, ela conversa com dois amigos próximos, dois companheiros de viagem, como os próprios se intitulavam. Mas, claro, eles eram mais do isso, dois amantes que não podiam se assumir porque, na época, a sociedade jamais os aceitaria.

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Baseada em um livro homônimo, “Companheiros de Viagem” usa essa imagem de dois homens que não podem amar sem o anonimato para fazer um paralelo com o romance proibido vivido por Hawk (Boner) e Tim (Jonathan Bailey, de “Bridgerton“). Os dois se conhecem em uma festa nos anos 1950, após a Segunda Guerra e em plena época de histeria em relação ao “perigo comunista”, enquanto o macarthismo persegue o diferente, inclusive homossexuais. Ambos trabalham com política e vivem os bastidores de Washington me meio a personagens reais, ainda que a trama envolvendo os protagonistas seja fictícia.

Indo e vindo no tempo, a narrativa se divide entre esse período histórico e o começo dos anos 1980 e a explosão da Aids, usando os dois momentos para discutir as dificuldades de ser gay em um mundo hipócrita e conservador, com os dois amantes em constantes conflitos graças a visões de mundo bem distintas. Hawk aceita uma vida nas sombras, enquanto Tim, mesmo vivendo um conflito por ser religioso, quer amar sem precisar se esconder.

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Com uma boa contextualização histórica e amparada por boas atuações (inclusive de Allison Williams, ótima como esposa de Bomer), a minissérie assume a encenação novelesca e melodramática, com direito a diálogos e atuações que buscam um tom um tanto convencional e maniqueísta. Mas a estratégia é menos um defeito e funciona porque a minissérie opta também por não ser um programa pudico que tem vergonha de seus temas.

Com as linhas narrativas entre “passado” e “presente” tirando a surpresa em relação ao destino dos dois amantes, “Companheiros de Viagem” trabalha assim melhor seus temas, contrapondo sempre as crenças entre os personagens e dando ênfase ao peso de suas decisões, seja uma vida escondida ou a liberdade e a luta pelos direitos da população LGBT.

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Eventualmente a minissérie se perde quando decide dar um salto temporal na linha narrativa do passado, abandonando os personagens secundários e toda a história sobre o macarthismo. Nos últimos episódios, o programa também exagera nas idas e vindas do tempo. Mas esse é apenas um pequeno porém de uma minissérie conduzida com respeito e força, mesmo deixando de lado qualquer sutileza e com um final sem grandes surpresas que prefere se manter na realidade do que sucumbir a um final feliz.

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