
Para o bem e para o mal, “Alien: Romulus” é uma homenagem a uma franquia que aterroriza o público há mais de 40 anos. Depois das tentativas não tão bem-sucedidas de Ridley Scott reviver a série sem a Sigourney Weaver em “Prometheus” e “Alien: Covenant”, o cineasta entrega o novo filme nas mãos de Fede Alvarez, mais conhecido pelas produções de terror “A Morte do Demônio” e “O Homem das Trevas”.
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Se a cada episódio de Alien um diretor imprimia suas digitais (além de Scott, James Cameron, David Fincher e o francês Jean-Pierre Jeunet), Fede Alvarez prefere seguir o caminho da colagem, transformando seu capítulo em uma coletânea de bons momentos de todos os outros filmes. Sim, ele também deixa sua marca, entregando um longa mais acelerado que retoma o tom de terror do primeiro em uma versão mais gore. Mas sua intenção parece ser mesmo criar um grande fan service.
Vale a pena ver de novo: “Prometheus” e “Alien: Covenant”
Há uma série de acertos em “Alien: Romulus”, um filme tenso e bem divertido. A trama, por exemplo, se passa entre “Alien, o 8o Passageiro” e “Alien, O Retorno”, abandonando a pretensão de “Prometheus” e “Alien: Covenant” de explicar a origem do monstro. Com a estratégia, a produção opta por mimetizar a direção de arte do filme de 1979, também deixando para trás a modernidade tecnológica dos dois prequels lançados em 2012 e 2017.

Essa é apenas uma das primeiras de várias piscadelas que a produção dá ao espectador. Seguindo a lógica hollywoodiana atual de nostalgia acima de tudo, o filme repete imagens e bordões, recicla e mistura temas dos anteriores e até retoma (de uma forma um tanto bizarra, na verdade) um personagem do passado.
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Essa versão do antigo vista com olhos atuais começa sem muita força, seguindo Rain (Cailee Spaeny, de “Priscilla” e “Guerra Civil”) e seu irmão androide (o melhor ator em cena, David Jonsson) tentando sair de uma colônia dominada pela doença. Após ter o pedido negado pela companhia, a jovem vê uma chance de sair dali graças a um plano de amigos de invadirem uma estação espacial abandonada.
Remetendo ao caos úmido e sombrio de “Blade Runner”, essa introdução da história serve apenas para apresentar os personagens, com o filme dizendo realmente a que veio quando o grupo invade a tal estação espacial. É a partir daqui que “Alien: Romulus” começa sua jornada de reviver a franquia ao glorifica-la por meio de referências.

Além de citações visuais mais óbvias, “Alien: Romulus” reapresenta também a grande vilã da franquia: a companhia e o seu desejo de estudar o monstro (e não deixa de ser engraçado a obsessão de Hollywood, uma indústria que respira dinheiro, em pintar o capitalismo como ameaça). O passado também retoma na insistência da franquia pelas questões da criação e da maternidade (aqui de forma bem menos sutil em uma das cenas mais absurdas da série e que flerta com o final de “A Ressureição”).
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Não que “Alien: Romulus” seja ruim. Longe disse. Fede Alvarez consegue controlar a narrativa evitando a confusão de gritos e da edição caótica que comprometiam “Prometheus” e “Covenant”, por exemplo. O roteiro também entrega personagens mais bem desenvolvidos, não apenas mortos em potencial, com a baixinha Cailee Spaeny defendendo bravamente o legado deixado pela bem mais alta Sigourney Weaver e sua icônica Ripley. Mas um grande filme não se faz só da coletânea de referências, e a essa nova incursão deixa a impressão de que não há mais nada de novo a ser dito pela franquia.
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