
“O Brutalista” é uma surra de filme que dura 3h30, sem contar com um intervalo de 15 minutos (que não sei se será respeitado quando a produção estrear no circuito comercial). Mas o longa também é uma verdadeira experiência cinematográfica dirigida com vontade pelo diretor Brady Corbet (de “Vox Lux: O Preço da Fama”, drama afetado estrelado por Natalie Portman), que explora aqui temas como imigração e obsessão, no caso de um arquiteto para finalizar sua grande obra.
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Se os trabalhos anteriores de Brady Corbet (inclusive episódios da fraca minissérie “Entre Estranhos”) não demonstravam o esmero estético do rapaz como diretor, “O Brutalista” chega para anunciá-lo como um dos grandes cineastas contemporâneos. Já tendo trabalhado como ator com autores tão díspares como Gregg Araki (“Mistérios da Carne”), Michael Haneke (“Violência Gratuita”), Lars Von Trier (“Melancolia”) e Olivier Assayas (“Acima das Nuvens”), Brady Corbet mostra em seu épico que aprendeu com os melhores, entregando um filme que grita formalismo.

No longa, Adrien Brody (oscarizado por “O Pianista” e já favorito para receber mais uma indicação ao prêmio) vive um arquiteto judeu que precisa fugir da Áustria no final da Segunda Guerra Mundial. Em uma cena belíssima, ele chega aos Estados Unidos vivendo um misto de felicidade e insegurança, deixando de lado sua carreira como arquiteto em Budapeste para começar do zero na terra de oportunidades.
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Comendo o pão que a América amassou, longe da esposa (Felicity Jones), vivendo de bicos e viciado, o arquiteto tira a sorte grande ao ser descoberto por um milionário (Guy Pearce) que quer construir um imponente centro cultural dedicado à mãe morta. O que a princípio é uma grande oportunidade logo se transforma em um pesadelo, com o arquiteto enfrentando tudo e todos para manter sua visão estética e arquitetônica, vendendo, inclusive, a alma ao capitalismo para concluí-la.

Remetendo a filmes como “Cidadão Kane”, “O Poderoso Chefão” e “Sangue Negro”, Brady Corbet vai desenvolvendo sua narrativa de forma lenta (não tediosa) explorando não apenas a ambientação e a encenação grandiosas, mas também levando seus personagens ao limite. Em meio a uma trama que envolve traições, ganância, inveja e poder, “O Brutalista” mostra como a ambição e o dinheiro corrompem o homem, entregando a Adrien Brody um papel complexo de um homem destruído pelo próprio sonho.
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Ambicioso e jogando essa ambição na cara do público, “O Brutalista” é cinema em sua essência, com Corbet, assim como seu próprio protagonista, não fazendo concessões. Grande em escopo, com uma direção de arte, fotografia e, especialmente, edição de fazer a alegria de quem gosta de Cinema, “O Brutalista” já nasce como clássico, sendo um dos favoritos a levar várias indicações no próximo Oscar (filme, direção, roteiro, edição, fotografia, direção de arte, trilha sonora, ator, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, e por aí vai).
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