Duas vezes "Fúria de Titãs"

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É óbvio que o remake de Fúria de Titãs é superior ao original em termos de efeitos especiais e ambientação. Em cerca de 20 anos, o cinema mudou muito, e isso fica evidente na comparação entre os filmes. Mas o novo “Fúria de Titãs”, de certa forma, é narrativamente mais bem amarrado do que o original. 

Os saudosistas que me perdoem, mas revendo o original fiquei bem frustrado. Basicamente porque o filme, dirigido por Desmond Davis, envelheceu mal para burro. Não só por conta dos clássicos efeitos de Ray Harryhausen, mas em virtude da direção primária de Davis e das péssimas atuações de gente como Laurence Olivier e Maggie Smith, dignas de peça infantil.

 

Não ajuda o fato do herói do filme ser interpretado de forma catatônica por Harry Hamlin, que mais parece um bobo da corte do que um semi-deus. Mal editado, com um ritmo capenga e muito mais longo do que deveria, além de apostar em um humor involuntário totalmente inadequado (o cúmulo do absurdo é aquela coruja dourada voando para lá e para cá), a produção só sobrevive em virtude do saudosismo e da nostalgia de uma época em que a Sessão da Tarde fazia sentido.


O remake
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A nova versão comandada por Louis Leterrier (“O Incrível Hulk”) também tem seus problemas, mas uma coisa não se pode negar: o ritmo do filme é bem mais empolgante e compensa a total falta de suspense e ação do original. O final, por exemplo, é muito bem construído por meio de uma montagem paralela e de uma trilha sonora que conduz a ação e narrativamente flui melhor.


Mas nem tudo é perfeito. Se os efeitos e a direção de arte colocam o original no chinelo, algumas opções narrativas transformam o longa em um entretenimento divertido, mas sem alma. A escolha de transformar a jornada de Perseus (aqui interpretado por um Sam Worthington seguindo os passos de Gerald Butler em “300”) em um banho de vingança atrapalha o filme e compromete a identificação do espectador, já que nunca acreditamos nas mudanças do personagem (que de um reles pescador vira o salvador da pátria).


Se essa escolha nos salva do romance com cara de novela das seis do original, por outro lado, tira um pouco do charme da história e joga qualquer construção dos personagens no buraco. Mas como ninguém vai ver um filme como esses atrás de construção de personagem, a ação se faz presente do modo mais ligeiro possível, não dando muito tempo para o desenvolvimento de uma trama coerente.


Outro defeito do filme – e do cinema de ação atual em geral – é a velha tática de cortes secos e rápidos demais misturados a câmeras lentas que dão náuseas. O resultado é que, em várias cenas, mal vemos o que está acontecendo e somos mais conduzidos pela trilha sonora que grita em alto e bom som do que pelas imagens.


O fato é que o remake de Fúria de Titãs carece de charme e desrespeita qualquer referência mitológica (mas tem a vantagem de contar com as presenças de Liam Neeson e Ralph Fiennes). Mas o original mesmo não tem charme nenhum, vamos ser honestos. Os saudosistas que me perdoem (mais uma vez), mas é a mais pura verdade.

Outros filmes

Também assisti a outros longas nesses dias, mas estou com preguiça de comentá-los de modo mais aprofundado. Em O Escritor Fantasma, Roman Polanski emula Brian DePalma tentando homenagear Alfred Hitchcock. Filme interessante, mas que peca por demorar demais a desenvolver a trama. De qualquer forma, vale pela bunda do Ewan McGregor e pela cena final de resolução do mistério, dirigida de forma magistral por Polanski.


Enquanto isso, os oscarizados “Coração Louco e “Um Sonho Possível são mais do mesmo. O primeiro é o típico filme de redenção, com Jeff Bridges ganhando o Oscar pelo papel mais óbvio possível: cantor alcoólatra e fracassado que dá a volta por cima. Já Sandra Bullock levou o prêmio para casa porque pintou o cabelo de loiro e fala com sotaque jeca em um filme açucarado com cara de “feito para a TV”. Mas os filmes não são ruins e valem uma conferida, nem que seja pelos atores.

Um pensamento sobre “Duas vezes "Fúria de Titãs"

  1. Moço, pelo amor de Deus, que repertório chinfrim é este, só filme “pão com ovo”, cadê a semana “Varilux” daí, cadê a programação do Unibanco, do HSBC ou do Reserva? Nãhn, você tem calibre para avaliar coisas intensas; as resenhas de jornal, sobre as estréias mornas, são coisas do passado…

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