O amor no tempo dos filmes de época

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Sempre fui fascinado por filmes de época. Além dos cenários suntuosos e figurinos sofisticados, esse tipo de filme se destaca por, geralmente, investir em histórias centradas em desenlaces amorosos na maioria das vezes sem direito a final feliz. O amor e suas tragédias é uma questão central desse cinema cheio de babados, vestidos rodados, chapéus e cenas de baile. Talvez seja por isso que esses filmes nos digam tanto. Afinal, o tempo passa, o tempo voa, mas o “amor romântico” ainda é o grande mote dramático da nossa sociedade, seja na vida real ou no mundo da ficção.


Recentemente assisti a dois examplares que mostram que amar em tempos de figurinos de época (não importa qual) não é uma das coisas mais fáceis. Coincidentemente, ambos são inspirados em histórias reais, o que nos leva a crer que, em tempos passados, a vida era ditada e regida pelo amor, ainda que os valores e regras da sociedade fizessem crer que não.


Em “Brilho de uma Paixão, a cineasta Jane Campion volta novamente seu olhar para uma personagem aparentemente a frente de seu tempo e deslocada em uma sociedade cheia de regras e princípios nem sempre compreendidos. Depois da explosão melodramática de O Piano e da sisudez de Retrato de uma Mulher, a diretora opta por um registro poético para narrar o amor entre um poeta e uma garota que, a princípio, mostra-se um tanto relutante ao rapaz e seu estilo de vida.


Cheia de delicadeza, Campion envolve seu filme em uma beleza que vai da fotografia à trilha sonora, dos figurinos ao texto extremamente bem cuidado. Apoiada em duas grandes interpretações de Ben Whishaw e Abbie Cornish, a diretora só peca por atribuir à história um tom distante, em parte graças à opção de mergulhar o longa em uma aura poética que o torna belo, mas muito vezes vazio. Aqui, sofre-se por amor, mas esse sofrimento não encontra resposta no público, embebido em uma embalagem de extrema beleza e frieza.
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Em A Jovem Rainha Vitória, o problema vai bem mais além. A frieza do filme não está no texto, mas na própria encenação e interpretação dos atores. Retratando a vida da rainha Vitória (Emily Blunt em uma atuação apática) antes de sua chegada ao poder, o filme peca por não desenvolver nem as tramóias políticas nem o lado romântico, mergulhando o longa em um registro sem graça que compromete todo o resultado final da produção.


Se os figurinos e a direção de arte se destacam mais do que o próprio elenco (Miranda Richardson e Paul Bettany pouco têm a fazer), é porque alguma coisa está errada. O filme começa e termina e não diz a que veio. O amor romântico está ali, em algum lugar, mas o espectador pouco se importa tão surpreso com a pobreza narrativa do longa.


Outros dois filmes vistos recentemente no cinema também versam, cada um a seu modo, sobre o amor. Em Encontro Explosivo, ele encontra espaço entre explosões, tiroteios, perseguições mirabolantes e uma trama absurda que coloca Tom Cruise e Cameron Diaz no mesmo barco. Claro que em meio a uma edição acelerada, a química entre os dois atores vai resultar em beijos e final feliz.


No suposto filme de vampiros (no qual eles não têm dentes pontiagudos, brilham na luz feito purpurina e quebram como vidro), o amor é o tema central e o catalizador de toda a trama. Isso para quem acredita em um amor ingênuo de quinta construído sem o menor apelo e defendido sem o menor ânimo pelo trio de atores mais sem sal da atualidade (Kristen Stewart, Robert Pattinson e Taylor Lautner).

O filme chama-se “A Saga Crepúsculo: Eclipse e é tão ruim quanto seus antecessores. Mal escrito, mal dirigido, mal interpretado, o sucesso da série (reflexo do êxito dos livros) só nos mostra o quanto a humanidade está perdida em meio a valores hipócritas e babacas do século passado. Apesar de ser um filme com vampiros, Eclipse é assustador pelo que representa em termos de decadência do ser humano (não os retratados na tela, mas o que, do lado de cá, compram esse lixo como algo redentor e se derretem em meio a um amor que não convence!). Tenham medo!

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