Séries: Glee!

Glee

Olhando de longe, o seriado Glee mais parece uma mistura de Malhação com High School Musical. Da primeira, Glee pega emprestado o ambiente estudantil e os conflitos do universo adolescente. Da segunda, os passos, as cenas de dança e performance e o rótulo de musical. Mas para nossa sorte essa impressão é derrubada sem pena ao longo dos 22 episódios da primeira temporada da série, um dos maiores sucessos da televisão norte-americana atualmente.

Longe de ser uma série perfeita, “Glee” abraça seus defeitos e explora suas inúmeras qualidades. Criada por Ryan Murphy (diretor de “Correndo com Tesouras” e do novo filme de Julia Roberts, “Eat, Pray, Love”), a série se sobressai graças aos seus diálogos cheios de ironia, aos ótimos atores que não têm medo de pagar mico e à escolha absurdamente acertada do repertório de músicas que costura os episódios.

Deixando a repetição e o politicamente correto de “Malhação” e “High School Musical” de lado, “Glee” atinge um público mais amplo e pop e que não se importa muito com as situações absurdas ou incoerentes que vez ou outra dão o ar da graça no seriado. Com personagens extremamente bem delineados e falas que, às vezes, beiram a agressão (Sue Sylvester é desde já uma personagem antológica defendida com unhas, dentes e ótimos diálogos pela atriz Jane Lynch), “Glee” é divertido e, acima de tudo, inteligente, coisa rara de se ver no cinema, mas cada vez mais comum de se encontrar na telinha.

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Sim, alguns podem levantar a mão e dizer que “Glee” é narrativamente pobre, com conflitos facilmente resolvidos ou personagens muito vezes abandonados ou esquecidos no meio do caminho. Visualmente, a série também deixa um pouco a desejar e é tão genérica como qualquer outro produto voltado para o público teen.

Mas a força de “Glee” não está nas histórias, e sim no espetáculo. Misturando no mesmo caldeirão os musicais da Broadway, os tempos áureos dos musicais hollywoodianos e a moderna linguagem dos videoclipes, a série é uma espécie de versão televisiva e menos anabolizada de Moulin Rouge, musical de Baz Lurhmann que virou paradigma para o gênero no início dos anos 2000.

Cheia de referências pop e abraçando sem medo o humor negro, “Glee” traz um repertório de cenas memoráveis que resgatam músicas do passado (as releituras de “Physical” e “Total Eclipse of the Heart” são imbatíveis) ou prestam belas homenagens a artistas pop contemporâneos como Madonna, Lady Gaga, Beyoncé e Christina Aguilera. Tudo isso para mostrar a boa e velha batalha entre “winners” e “losers” tão cara à cultura estadudinense. A trama pode não ser nova, nem mesmo a abordagem. Mas não há como negar que, aqui, a diferença está toda no vigor com que a série é feita.

A princípio, pode parecer pouco, mas ao colocar no mesmo barco entretenimento e inteligência, a série tem se sobressaído perante a concorrência e já está com a segunda temporada garantida. Sucesso comercial, “Glee” tem se mostrado um bom negócio para as bandas que têm suas músicas escolhidas para participar dos episódios e para o público, que tem a chance de experimentar os musicais a partir de um ponto de vista que deixa claro que o quê conta é o espetáculo. E que bom espetáculo!

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