Pílulas

Se existe uma certeza nessa vida é que o tempo não para. Na verdade, ele passa bem rápido e, muitas vezes, nem nos damos conta. De certa forma, Toy Story 3 e Nick and Norah’s Infinite Playlist são sobre a passagem do tempo. Pelo menos para mim. O primeiro é sobre o fim da infância e do que ela representa. O segundo vai um pouco mais além no tempo e lança um olhar sobre a adolescência e o modo como nessa época pouca coisa pode valer muito.

Toy Story 3 é uma pérola, um filme delicioso que mistura aventura e nostalgia, risos e lágrimas, continuidade e fim. De uma forma brilhante, o longa consegue manter a essência dos dois primeiros indo mais além ao falar de amizade. Mais precisamente como temos que lidar, em alguns casos, com o fim dela. Não necessariamente um fim, mas uma mudança, uma passagem, uma transformação que muitas vezes deixa o coração um tanto apertado.


Graças a um roteiro preciso, uma direção iluminada e vozes apaixonadas (novamente Tom Hanks, Tim Allen e Joan Cusack), “Toy Story 3” ecoa de uma forma que poucos filmes o fazem. É uma aventura cheia de ação, mas também cheia de sentimento.


O mote é simples, mas acerta em cheio. Andy não é mais criança, está de malas prontas para a universidade e seus antigos brinquedos têm que lidar com o esquecimento. A partir, o caubói Woody, o vigilante das galáxias Buzz e o resto dos brinquedos partem em uma empreitada que os levará a novos caminhos e novos donos. E o final é de partir o coração, porque sometimes we just have to move on. And it isn’t easy!


Confira minha resenha completa sobre o filme no Cinema com Rapadura
 
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Nick and Norah’s Infinite Playslist trabalha em uma outra chave, mas também toca fundo no peito. O longa é uma mistura daquelas aventuras oitentistas que duram uma noite que parece interminável com os chamados novos filmes indies recheados de personagens losers e trilha sonora pop. Ou seja, você já viu isso antes em algum lugar. O que muda são apenas os atores e as canções que embalam a trama. Mas quem se importa se o negócio funciona, mesmo que a trama não fuja muito do esquema “garoto nerd encontra garota nerd”.


O maior acerto da produção é emular uma série de filmes memoráveis ou divertidos sem tentar copiá-los ou mesmo homenageá-los. Dos anos 1980, temos ecos do sensacional Febre de Juventude (um bando de garotos enlouquecidos tentando ver o show de uma banda do coração, no caso do filme de 1978, simplesmente os Beatles) e Uma Noite de Aventuras (um bando de garotos que vive uma série de situações absurdas ao longo de uma noite).


Da escola indie de ser, o filme pega emprestado o ator de Juno (Michael Cera), a aura loser de Hora de Voltar e mais um monte de elementos que fazem a festa nas produções que versam sobre amor, fossa e outras dificuldades de relacionamento sob o ponto de vista de personagens tímidos, amargurados ou supostamente losers.


Mas tirando o apelo às fórmulas, “Nick and Norah’s Infinite Playlist” funciona porque remete há um tempo que não volta mais: quando não precisava que acontecesse muita coisa para uma noite ser divertida; quando sair de bar em bar era regra e não apenas uma rotina cansativa; quando a noite realmente era uma criança e a farra só acabava ao amanhecer. Mas o tempo passa, a gente envelhece e tudo isso fica para trás. Felizmente, o cinema existe para matar nosso saudosismo e deixar a nostalgia no ar. E se o tempo realmente passa, é porque deve existir um propósito!

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