Poucas palavras sobre algumas coisas

A preguiça é a maior inimiga dos blogs. Bom, pelo menos do meu. Sempre penso em textos para postar, comentários sobre filmes, shows, algum álbum ou videoclipe que me chamam a atenção. Chego até a escrever alguns deles mentalmente. Mas tudo acaba ficando no campo das ideias. Sou expert em deixar minhas ideias guardadas em algum lugar que nem eu mesmo sei onde é. Mas tudo bem, tirando uns dois ou três amigos, ninguém lê isso aqui mesmo, então a culpa por deixar esse espaço sempre no leito de morte diminui bastante.

Reclamações à parte, a cada dia que passa sou uma pessoa menos e menos cultural. Vejo menos filmes do que antes, leio menos livros, não me choco mais com videoclipes e pouco me entrego aos vícios midiáticos proporcionados pelas séries de tevê. Não me perguntem a razão, Freud deve explicar, não eu! Isso acaba me limitando um pouco para escrever, já que minha vida é meio chatinha e não anda merecedora de posts. A verdade, no entanto, é que nem sempre se vê um filme, ouve-se uma música, vai-se a um show ou descobre-se uma banda merecedora de algum comentário, nem que seja de poucas linhas.

Então vamos lá, comentar o pouco visto, ouvido, registrado e catalogado no meu repertório cultural:
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A banda mineira Pato Fu é umas das poucas do cenário nacional que ainda me desperta algum sentimento que não seja a raiva e o desprezo. Sempre cheios de delicadeza, passeando pelo lúdico, pop e experimental, Fernanda Takai e cia me fazem acreditar que a música nacional tem salvação, mesmo sabendo que ela não tem. O último trabalho da banda, o singelo Música de Brinquedo é uma pérola da “fofice”, trazendo várias releituras de clássicos do rock – nacionais e internacionais – tocados com instrumentos e sons tirados de brinquedos.

Se o álbum é bem redondinho, o show de divulgação do trabalho é sensacional. Visto numa sexta à noite no Sesc Vila Mariana, o espetáculo tem uma concepção visual ao mesmo tempo simples e de encher os olhos. As versões das canções ganham vida ao vivo e são marcadas por arranjos irreverentes e delicados. Da participação dos bonecos do Giramundo, passando pelo cenário, figurinos, iluminação, tudo é perfeito e transforma a experiência de ouvir (e ver) o Pato Fu ao vivo em um espetáculo de encher os olhos… de lágrimas!

Já o show do She Wants Revenge, no Clash Club, foi uma decepção. O atraso de cerca de duas horas e um show meio improvisado e sem muita empolgação me fizeram rever minha impressão sobre a banda.

Tenho ido pouco ao cinema, não sei se por falta de empolgação ou de filmes bons. Acho que um misto dos dois. Antes que o Mundo Acabe é um belo filme sobre a adolescência. Alguns diálogos chavões e empostados diminuem um pouco a força do trabalho, assim como um personagem chato que vez ou outra resolve discutir fotografia e soltar outras pérolas do clichê. Mas o elenco entrosado e a sinceridade dos personagens compensam as falhas. Para quem não é mais adolescente, fica a nostalagia. Para os que ainda estão vivendo essa fase, a identificação é certeira. Quem sabe um dia Malhação aprenda um pouco com os filmes nacionais sobre a adolescência e deixe de ser um programa burro, feito por gente burra e assistido por gente mais burra ainda. Seria querer demais?!
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O Refúgio é cinema francês em sua essência. Frio, distante e um tanto seco em se tratando de emoções. Os sentimentos dos personagens são sempre uma icógnita, e a narrativa é cheia de lacunas, o que de certa forma leva o público a se distanciar do que se vê na tela. Ainda assim é um filme válido. François Ozon é um diretor interessante e que sabe prender a atenção do espectador, mesmo que seus filmes passem longe da perfeição.

Por um curto período de tempo, o Belle & Sebastian foi a banda da minha vida. If You Feeling Sinister é um dos poucos álbuns que escuto do começo ao fim sem reclamar, além de ter canções que me desvendam em poucos refrões. Sem lançar nada desde The Life Pursuit (2006), os escoceses estão de volta com o belo Belle & Sebastian Write About Love, álbum já devidamente vazado, baixado, escutado e aprovado. Mais pop e menos retrô, o álbum traz belas composições que fogem um pouco da sonoridade sessentista caracterísitica da banda e abraçam um registro mais pop sem deixar de lado a melancolia. O disco tem participações de Norah Jones e da atriz Carey Mulligan. “I Didn´t See It Coming” e “Calculating Bimbo” são simplesmente sensacionais e de partir o coração.

Bandinhas novas às vezes me cansam. Geralmente escuto os álbuns, fico meio psycho por um tempo e logo em seguida nem lembro mais quem são. Tenho incontáveis discos (baixados, claro) de bandas que só acumulam espaço em algum CD qualquer de MP3. A maioria não chega nem a ser um rodapé no meu histórico musical. Espero que a Hurts não seja mais uma dessas. Eles, um belo duo britânico, tinham tudo para serem meio passados, afinal bebem na fonte dos esgotados anos 1980. Mas não, ao invés de apostar em um pop chichete já explorado por gente como The Ting Tings, La Roux e até a mala da Lady Gaga, eles pegam as referências oitentistas, misturam com o brit pop dos anos 90 e saem com um som melancólico que gruda, mas não enche o saco. As letras são tristes, a pegada é pop e a embalagem, cinzenta. De Happiness o álbum só tem o nome. “Devotion”, com direito a participação de Kylie Minogue, “Unspoken, “Illuminated”, “Evelyn” e “Blood, Tears & Gold” não param de tocar no Ipod.

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