Filmes da Mostra

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Trabalhar na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo não é fácil. Ainda mais quando se gosta de cinema. Você está cercado de filmes, sabe a sinopse de vários, se interessa por muitos, mas acaba não vendo quase nada. Mas ainda assim compensa. E no meio de uma rotina meio massacrante, você tenta encaixar um filme aqui e ali. A 34ª Mostra ainda não terminou, mas até agora só consegui tempo para ver dois filmes.

O primeiro, mais do que apenas ver um filme, foi uma experiência coletiva, por mais brega que isso pareça. Vi Metropolis deitado no gramado do Parque Ibirapuera, em uma puta tela grande e com direito à orquesta tocando a trilha musical do longa ao vivo. Ao fundo, o céu e as nuvens carregadas de São Paulo e um frio de rachar os dentes.

Antes de mais nada, confesso que nunca tinha visto Metropolis, só algumas cenas. Nunca fui muito fã de cinema mudo, ou silencioso, como preferem alguns. Geralmente me perco, confundo os personagens, não consigo acompanhar a narrativa e pouco me interesso pela história que está sendo contada (isso quando tem história). Mas não dá pra negar que “Metropolis” é um achado cinematográfico. Vê-lo em uma cópia restaurada e em uma tela grande dá um significado maior ainda às belas imagens do filme.

Hoje em dia, o longa pode até ter uma mensagem um tanto datada e já muito explorada pelo cinema, mas isso não tira o mérito do filme, que ecoa até hoje em termos de referências. Da história à cenografia, dá para perceber resquícios de “Metropolis” em filmes como Matrix, O Exterminador do Futuro, Batman e por aí vai, além de vários videoclipes (ver a dança da atriz que interpreta Maria, por exemplo, nos faz lembrar que as coreografias ousadas de Shakira e Britney Spears não têm nada de novas).

Se “Metropolis”, ainda hoje, sobrevive ao tempo, não se pode dizer o mesmo de Atração Perigosa, segunda empreitada de Ben Affleck na direção. É um filme forte sobre assalto a bancos, com um bom elenco (com destaque para o Mad Men Jon Hamm) e uma produção de primeira. Mas o longa deixa a desejar justamente por apostar em uma caminho fácil já percorrido antes.

Entre clichês e mais clichês, temos o bandidão chamorso e boa pinta que se salva no final e uma relação amorosa mal construída entre ele (o próprio Affleck) e a subgerente refém de um dos assaltos (Rebecca Hall). Um dos problemas da produção é justamente esse: o flerte entre Affleck e Hall nunca convence, menos pelos atores e mais pelo roteiro apressado que não deixa tempo para o desenvolvimento dos personagens.
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Atração Perigosa não chega a ser ruim, mas passa longe da urgência dos filmes de ação dos anos 1970 que o inspiraram (“Serpico”, “Um Dia de Cão”, “Operação França”, por exemplo). O longa também fica devendo quando comparado à grandiosidade trágica de um “Fogo contra Fogo” (de Michael Mann) ou a tensão constante de um “O Plano Perfeito” (de Spike Lee), por exemplo. Correto e sem alçar grandes voos, “Atração Perigosa” pelo menos demonstra que Ben Affleck tem potencial como diretor, ainda que lhe falte mais coragem para quebrar regras.

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