A Rede Social e outros filmes…

The Social Network

David Fincher é o cara. O diretor começou a carreira fazendo comerciais e ficou famoso comandando videoclipes de gente como Madonna (Vogue e Express Yourself são dele), Paula Abdul, Rolling Stones, Aerosmith e outros. Depois migrou para o cinema e, se não virou um dos melhores diretores contemporâneos, concebeu pelo menos duas obras-primas cinematográficas dos anos 90 (Seven e Clube da Luta). Dono de um estilo visual bastante peculiar e com um olhar narrativo apurado, Fincher virou referência e sinônimo de ousadia.

Não é de estranhar que A Rede Social seja um belo exercício cinematográfico. O filme, que narra a fundação de uma das maiores e mais importantes redes sociais da atualidade (o Facebook), tinha tudo para ser chato e desinteressante para que não é familiar ao assunto. Mas com um roteiro perfeito em mãos e um elenco jovem e atuando na medida, Fincher deixa um pouco de lado um olhar mais estilizado e aposta na história, construindo um longa envolvente e que prende a atenção unicamente pela trama.

Claro que as estripulias estéticas comuns ao diretor estão presentes (a edição vai e volta no tempo; a fotografia remete a seus trabalhos anteriores, com cores menos vivas e uma aura quase cirúrgica e clean; os enquadramentos procuram fugir do convencional; a trilha sonora é peça chave etc.), mas aqui elas são menos, e A Rede Social funciona por ser um ótimo exercício narrativo, vigoroso e passional. Entre traições, intrigas e muitas acusações, os personagens são a mola-mestra do longa.

E se algo pesa contra o filme, são os próprios personagens e a forma como a produção as coloca em primeiro plano que pode diminuir um pouco seu valor. Mesquinhos, sem escrúpulos e pretensiosos, eles querem mudar o mundo e acabam se tornando figuras pouco carismáticas aos olhos do público. Ainda que isso resulte em um distanciamento (é difícil criar empatia por alguém), o longa busca outras formas de envolver o espectador (seja pelo roteiro brilhante cheio de diálogos aguçados, seja simplemente pela honestidade com que os personagens são representados pelo elenco). O resultado é um filme ágil, moderno e impactante. A prova que hoje em dia é possível sim fazer cinema para gente grande.
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Um assassino melancólico – George Clooney sempre me pareceu um ator limitado e que conquistava mais pelo carisma do que propriamente pelo talento. Depois de boas atuações em Conduta de Risco e Amor Sem Escalas, o ator volta a demonstrar competência mais uma vez no interessante Um Homem Misterioso, filme de espionagem contemplativo e com ares de produção europeia. Dirigido pelo renomado fotógrafo e diretor de clipes Anton Corbijn, Um Homem Misterioso ousa por não adotar o ritmo imposto pelos filmes de Jason Bourne ou James Bond e apostar mais na caracterização do personagem principal. Mesmo tendo uma trama que não vai a lugar algum, o filme é bem dirigido e bonito de se ver.

Um Woody Allen menor – “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos é um dos piores trabalhos de Woody Allen. Mal dirigido e com um bom elenco desperdiçado (Naomi Watts, Anthony Hopkins, Josh Brolin etc.), o filme é repetitivo e traz um dos roteiros menos inspirados do cineasta. Arrastado e sem muito propósito, o filme começa sem dizer a que veio e termina quase como se tivesse sido abandonado pelo diretor. O universo é aquele mesmo típico de Woody Allen, só que agora menos interessante, mais chato e com sotaque britânico.
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Tropa de Elite 2 – O filme pode ser acusado de fascista e o que for, mas não dá para negar que é um dos melhores exemplares do cinema nacional, mostrando que a gente pode sim fazer coisas de qualidade. José Padilha é nosso Oliver Stone, sabe manipular como ninguém e construir teorias e mais teorias por meio de imagens e de sons. E que imagens e sons… Tropa de Elite 2 é filmado com sabedoria e traz cada peça no lugar: do roteiro preciso, passando pelas atuações viscerais e chegando à produção caprichadíssima, o filme é quase a redenção do cinema nacional. José Padilha não tem o menor pudor em dar um soco no estômago do espectador e cuspir na cara dos cineastas brasileiros que ao invés de apostar em um bom cinema perdem tempo tentando fazer teses audiovisuais sem sentido. Não é a toa que o filme virou o exemplar mais visto do nosso cinema.

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