O Vencedor

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O cinemão americano tem toda uma tradição de filmes sobre boxe: “Rocky”, “Touro Indomável”, “O Campeão”, “O Lutador” e mais uma penca de outros. O cinemão americano também tem toda uma tradição de filmes sobre famílias disfuncionais (ou seja, famílias em geral porque todas são problemáticas). Na atual linha do mundo pós-moderno, líquido, contemporâneo e das hibridações, O Vencedor junta as duas tradições e se sai muito bem.

De um lado, não foge muito às regras desse quase gênero povoado por personagens fracassados que usam o boxe como forma de superação/redenção. De outro, lança o foco em uma família cheia de problemas e diferenças, mas que se ama de um jeito que só seus membros conseguem entender.

Dirigido de forma convencional por David O’Russell (o que não deixa de ser surpreendente partindo do mesmo cineasta que deu ao mundo os estranhos “Três Reis” e “Huckabees – A Vida é uma Comédia”), “O Vencedor ” é um dramão sem grandes novidades, mas que conquista por ser honesto em sua proposta. Apostando em uma narrativa simples, O’Russell abre espaço para que seu elenco brilhe e envolva o espectador, já que a falta de surpresas da história (baseada em fatos reais) poderia ser um defeito da produção.

Se a trama pode ser mapeada desde o início do filme, é seu competente elenco que eleva o nível do longa. Sim, “O Vencedor” pode não apresentar nada demais, pode não ter uma edição primorosa, como no caso de “Touro Indomável”, mas é uma história comovente e que ganha ainda mais força graças às atuações de Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy Adams, Melissa Leo e mais uma penca de atores que dão o sangue em papéis secundários.

É a partir da sinceridade do elenco e da própria condução de O’Russell, que opta por menos para dizer mais, que “O Vencedor” encanta. Quando a fatídica luta final chega, e o eterno fracassado se torna um vencedor, o espectador pouco se importa e abraça a emoção sincera do longa. Às vezes, seguir a cartilha à risca pode ser o melhor caminho cinematográfico. “O Vencedor” é a prova disso.

Um pensamento sobre “O Vencedor

  1. Mr. Freire, estou louca para o senhor assistir O Discurso do Rei e comentar, mesmo sabendo que você vê um monte de aspectos que eu não percebo, mas ai me mostra um monte de coisa nova para minhas avaliações apaixonadas. Rapaz, sempre achei o Colin Firth tudo, mesmo naquelas comédias românticas ele ainda se destacava para mim. No Single Man ele me estraçalhou, fiquei como atropelada por uma caçamba um monte de tempo.Agora que acabei de assistir o Discurso do Rei na minha própria casa, vou me entregar logo e dizer que pronto: amo desesperadamente esse homem e não pelas covinhas que ele tem no rosto, mas pelas intrepretações magníficas que consegue fazer. Vou só ficar na espreita de suas considerações.

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