O Discurso do Rei

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Hoje em dia, em tempos de liquidez, pós-modernidade e mais um monte de conceito que não serve para nada, fazer um filme quadrado e convencional, sem querer revolucionar a linguagem cinematográfica, é quase um crime. Crime que O Discurso do Rei comete com louvor. Sim, é um filme de narrativa clássica, de enquadramentos convencionais, roteiro de estrutura tradicional, sem nenhuma pretensão estética, mas é um puta filme também.

A princípio, é mais uma história de superação, com lição de moral no final. Mas é feito de forma tão honesta e competente, que é difícil não se deixar levar. Fotografia e direção de arte no lugar, trilha musical edificante, direção precisa, atuações marcantes. De um lado, um quase-Rei gago; de outro, um terapeuta bem pouco convencional. Entre os dois, uma esposa que sofre com o sofrimento do marido, incapaz de falar sem causar um certo constrangimento.

Colin Firth não está melhor do que em A Single Man, mas ainda assim é um trabalho carismático e que tem seu valor. Geoffrey Rush deixa seu histrionismo de lado e entrega uma atuação comovente que aposta no olhar. O mesmo pode ser dito de Helena Boham Carter, que interpreta Elizabeth Mãe de modo sensível e contido.

O diretor Tom Hooper segue a cartilha dos filmes de época à risca e comanda o longa com certa delicadeza e um olhar apurado para ressaltar a emoção. A cena do discurso per si é um exemplo de direção e edição sutis. A mesma cena demonstra o poder de um veículo de comunicação hoje praticamente esquecido: o rádio. Os tempos são outros, mas nem a televisão, nem o cinema, muito menos a internet, com suas mil possibilidades, conseguem unir um país inteiro em torno de algo, um mero discurso que seja.

Pela nostalgia de uma época em que filmes convencionais e clássicos diziam mais e não eram recriminados por isso, “O Discurso do Rei” merece seu valor. Para alguns, pode representar um retrocesso. Mas quem disse que retroceder às vezes não pode ser bom?

Um pensamento sobre “O Discurso do Rei

  1. Vai ser difícil o Colin Firth chegar a ser maior do que foi no A Single Man. Eu acredito que ele seja capaz, mas vai demorar um pouco, porque aquele filme é um festival de sensibilidades e tapas dadas com muita força na cara da gente. N'O Discurso do Rei”, entretanto, o mesmo magnífico ator está lá. Ele leva os expectadores para todas as emoções que pretende, para todos os lado, para onde deseja. Eu, mulher mais das letras do que das linguagens cinematográficas, depois de interpretações assim passo um tempo para ver novamente, na tentativa de me recuperar do arrebatamento. Fiquei feliz por ele ter ganho o Globo de Ouro e vou ficar torcendo para levar o Oscar, mesmo não acreditando muito nisso. Em tudo, há tantos interesses envolvidos, que às vezes, o que é bom passa é longe de ser reconhecido.

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