And the Oscar goes to…

Vamos ser sinceros. O Oscar não vale nada. Pelo menos para mim ou qualquer cinéfilo com o mínimo de noção. É um prêmio comprado pelo marketing, lobby e lado mais podre e comercial da indústria do cinema. Não tem nada a ver com arte, nunca teve e nem terá. É um jogo de cartas (quase sempre) marcadas que diz muito sobre a velha dicotomia Arte X Comércio. Adorno e todos os frankfurtianos devem ter orgasmos assistindo ao Oscar diretamente de seus túmulos, porque o prêmio serve como uma ótima metáfora para um bocado de ideias desse grupo que criou a alcunha “indústria cultural” e é motivo de pesadelo para um monte de aluno dos cursos de comunicação.

Mas teorias à parte, o Oscar é fun, entretenimento, tapete vermelho, vestidos ridículos, discursos babacas, sangue, suor e lágrimas. Então mesmo não fazendo o menor sentido, nós (ok, pelo menos eu), perdemos, e muito, do nosso tempo nos dedicando ao prêmio, seja lendo notícias sobre, fazendo apostas ou, o básico, simplesmente assistindo ao máximo de filmes indicados possível. Entre o jogo da indústria e toda a máscara de prêmio artístico, eu me divirto e meus filmes preferidos nunca ganham, sequer são indicados às vezes.

Esse ano, por puro ócio e excesso de tempo (em pleno 2011, um crime que merece a pena capital) vi todos os 10 longas indicados a melhor filme. Abaixo, uma listinha de todos eles em minha (e só minha) ordem de preferência.

Toy Story 3 – Sim, o melhor filme do ano. E daí que ele é uma animação? Who cares? Eu, pelo menos, não! Coisa rara de acontecer, o fim de uma trilogia se transforma em um exemplo de como um filme pode ser dirigido, escrito e “interpretado”. O resultado são risos e lágrimas; diversão para crianças, comoção para adultos.

A Rede Social – Sim, David Fincher sabe dirigir como ninguém e ganha respaldo com essa versão anos 2000 e virtual de “Wall Street”. Com um roteiro (brilhante) que conduz toda a ação e edição, Fincher prova mais uma vez que é muito mais do um cineasta que começou dirgindo comerciais e videoclipes da Madonna. Cinema para adulto ver.

A Origem – Sim, o filme é um desses blockbusters recheados de cenas de ação, explosões, barulho e efeitos especiais. Mas Christopher Nolan sabe o que faz e constrói um quebra-cabeça barulhento e envolvente que mistura sonho, realidade, um grupo de ótimo atores e um roteiro que dá um nó (nem sempre desfeito) na cabeça do espectador.

O Discurso do Rei – Sim, o longa é convencional e caretinha e representa uma época em que filmes eram feitos para ganhar prêmios, com uma série de fórmulas prontas como uma receita de bolo. Mas não se pode negar que o filme sabe como reverter essas fórmulas a seu favor e não deixa de ser um exemplar de cinema classudo e envolvente.

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127 Horas – Sim, Danny Boyle poderia muito bem parar de super dirigir e super editar seus trabalhos. Mas pelo menos o cineasta entende que, aqui, a estrela é seu ator principal, James Franco, que empresta seu carisma e talento para uma história de superação que emociona de verdade.

Cisne Negro – Sim, o filme não passa de um thriller disfarçado de estudo psicológico, algo que já vimos com mais propriedade em longas como “Repulsa ao Sexo” e “O Bêbe de Rosemary”, ambos de Polasnki. Aqui, Darren Aronofsky usa todo seu costumeiro apuro estético para supervalorizar, por meio de imagens, sons e simbologias, uma trama batida e clichê.

O Vencedor – Sim, esse é mais um filme sobre boxe. Mas é também um longa sobre uma família disfuncional. E, mais ainda, uma produção sobre superação e redenção. O elenco e a honestidade de David O’Russell na direção o elevam a outro nível, envolvendo o espectador e o fazendo esquecer da banalidade da trama, baseada em uma história real.

Bravura Indômita – Sim, é mais um western e mais um filme dos irmãos Coen. Mas aqui os cineastas abraçam o esquema hollywoodiano de produção e entregam um produto mais comercial e palatável. Com um elenco competente em mãos e uma produção caprichada, a refilmagem de um clássico com John Wayne é cinema correto que não ofende ninguém.

Inverno da Alma – Sim, é um exemplar do cinema independente até dizer chega. Dirigido de forma crua e seca, o filme leva sua protagonista em uma viagem sem volta a um inferno povoado por ‘white trash’ americanos. O maior mérito do filme é mesmo a interpretação corajosa de Jennifer Lawrence, que empresta um pouco de alma a um longa sem coração.

Minha Mães, Meu Pai – Sim, lésbicas também choram, sofrem, traem e adotam crianças. Pelo menos é o que diz esse exercício de caretice que muita gente tem comprado como um filme moderno e para frente. Apesar do elenco competente, o filme nunca engrena e não traz absolutamente nada de novo. Mas não deixa de ser o exemplo perfeito de produção hipócrita que tanto agrada a Academia.

2 pensamentos sobre “And the Oscar goes to…

  1. Fiquei sentida quando você disse que só Eri lê seu blog.

    Rapaz, esse espaço precisa ser divulgado. Que precisão e clareza nas palavras…

    A gente vê tanta besteira por aí, tanto chavão, que quando lê algo original chega dá gosto. Ainda mais vindo de você.

    Beijo grande…

  2. Oscar é que nem Papai Noel e coelhinho da Páscoa, todo mundo sabe q é fake, mas ainda insiste em acreditar. Amei a referência aos frankfurtianos!!!! Meus favoritos nunca ganham tb, mesmo assim, quero ver alguns dos filmes indicados, só consegui ver dois até agora. Ah, em relação aos textos, continuam ótimos, como sempre!

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