Namorados para Sempre

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O título pode até remeter a uma comédia romântica boba ou um romance água com açúcar genérico, mas Namorados para Sempre está longe de ser um filme simplista e comum. A ideia nem é original, mostrar o início e o fim de um relacionamento amoroso (François Ozon já fez isso de trás para frente em O Amor em 5 Tempos e até Jennifer Aniston passou pelo rompimento de um casamento na comédia Separados pelo Casamento, que termina de forma melancólica e realista), mas é realizada com tanta honestidade e carregada de melancolia que fica impossível não embarcar sem ressalvas em uma história que mescla amor, ressentimento, dor, culpa, cumplicidade e sofrimento na mesma medida.

O longa dirigido por Derek Cianfrance não nega as raízes advindas do cinema independente americano. A câmera é colada nos protagonistas e parece acompanhá-los como uma testemunha bem próxima e quase presente, diferente do posicionamento mais distante ditado pelo cinema clássico. Os cortes são abruptos e descontínuos, sempre deixando a sensação de que estamos perdendo algo. A dramaticidade é mais sugerida do que propriamente mostrada. A trilha musical é discreta, porém marcante quando necessária. Uma cartilha mais do que assimilada pelo grande público.

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A opção do diretor em mostrar de modo não-linear como Dean e Cindy se conhecem e depois se afastam, a princípio, mais parece um recurso gratuito para dar ao filme um tom modernoso. Mas é compreensível na medida em que Cianfrance confronta as situações de forma a compará-las e dar uma dimensão um tanto pessimista dos rumos que um relacionamento pode tomar. A fotografia das cenas em que o casal se conhece, por exemplo, é granulada, quase como uma idealização dessa primeira fase, assumindo um tom mais sóbrio e claro quando ambos assumem uma postura mais de confrontação do que de romance.

A partir daí, o cineasta entrega o filme aos seus atores. E é essa opção que diferencia “Namorados para Sempre” da multidão. Ryan Gosling e Michelle Williams destroem todos os corações e entregam duas interpretações arrasadoras. A química entre os dois é fundamental para que o público compre a intimidade do casal, seja nos momentos iniciais, quando tudo é descoberta, seja quando ambos passam a se agredir mais do que necessariamente se amar. A fragilidade de um vira arma para o outro, e Gosling e Williams passam no olhar e nos gestos a transformação que o casal sofre ao longo dos anos de uma relação desgastada.

“Namorados para Sempre”, claro, está longe de ser um filme que agrade a todos. Alguns cenas entre Dean e Cindy são de cortar o coração. Mas Cianfrance escolhe não fazer de seu longa um drama pesadão. A tristeza se faz presente, mas de uma maneira mais melancólica do que propriamente trágica. O final não fecha portas, mas está longe de ser um happy end.

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