Super 8

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Existe uma diferença entre filmes de época e filmes que querem emular uma época. Super 8 tenta fazer parte dessa segunda categoria, buscando mimetizar uma aura e uma forma de se fazer cinema que já não existe mais. O cinema juvenil do final dos anos 70 e início da década de 80. Mais precisamente o cinema de Steven Spielberg.

A intenção é boa, mas JJ Abrams não é nenhum Spielberg, apesar de talentoso. E os anos 80 já estão longe e perderam espaço na memória para todo um repertório fílmico que ganhou destaque nas décadas de 90 e anos 2000. Fica difícil então se emular alguma coisa quando ela será inserida em um outro contexto.

Esse é o maior problema de “Super 8”, misto de ficção científica e produção juvenil que remete de imediato a Goonies e E.T., mas não tenta esconder seu lado blockbuster arrasador tão comum ao novo século. A aura ingênua dos filmes de Spielberg do passado não faz muito sentido hoje, para um mundo totalmente inserido em uma era digital, tecnológica e, por que não, cínica. Ao mesmo tempo, a ação desenfreada e as cenas espetaculares, extremamente devedoras das novas tecnologias, não casam com a proposta nostálgica da produção (os efeitos podem até ser discretos, mas a cena da explosão do trem e o final épico não negam a origem contemporânea).

Perdido nesse limbo entre passado e presente, “Super 8” é divertido, é entretenimento interessante e bem realizado, mas não faz muita questão de esconder que é apenas uma versão anabolizada de “E.T.”. O filme de JJ Abrams (sim, o cara responsável por Lost, Felicity e a repaginada de Jornada nas Estrelas) tenta conquistar o público saudosista de longas da época em que eram espectadores mais jovens e ingênuos, mas sem abrir mão, claro, do espectador do presente, resultando um tanto esquizofrênico em sua concepção.

Essa tentativa de volta ao passado (sim, porque JJ Abrams tenta, mas não consegue) acaba resultando fria e cerebral. Mesmo os conflitos entre os personagens (o pai e o filho que não se conectam após a morte da esposa/mãe; o rapaz meio nerd que se apaixona pela garota mais bonita da escola) acrescentam pouco à trama, e a emoção é calculada demais e se perde diante do hype criado em torno da produção.

O filme é tenso. Elle Fanning é linda, carismática e domina a tela. A fotografia e o desenho de produção acertam na mimêse que se propõem a fazer. Mas tem alguma coisa fora do lugar. Uma coisa que JJ Abrams não pode manipular: o tempo. Estamos em 2011, e o contexto atual é bem diferente do de 1982 (quando “E.T.” foi lançado). Isso faz toda a diferença.

Um pensamento sobre “Super 8

  1. Mr. Fábio, sua resenha é tão boa, tão boa, o senhor escreve tão bem, que dá vontade de ir assistir ao filme mesmo o JJ Abrams não podendo manipular o tempo. Seu texto, seu parecer sobre, isto sim faz toda a diferença também.

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