Triângulo Amoroso

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A trama de Triângulo Amoroso é um tanto banal. Casal passa, sem nenhum dos dois assumir, por crise e acaba, sem saber, se envolvendo com o mesmo homem. A história e seu desenrolar não apresentam nenhuma surpresa, mas a realização de Tom Tykwer (“Corra Lola, Corra”, “Perfume”) é o grande diferencial do filme. Se histórias sobre enlaces amorosos entre três pessoas não são novidades no cinema (tivemos, inclusive, um recente exemplo nacional), a direção de Tykwer traz uma embalagem nova ao tema, mesmo não necessariamente apostando em um ponto de vista diferente.

Hanna e Simon estão naquela fase de conforto da vida em que mudanças não são muito bem-vindas. Ambos então optam por fingir para si e o companheiro que está tudo bem, a ponto dos dois simularem o gozo no sexo, por exemplo (Simon cuspindo na camisinha usada é o emblema atual da relação). A situação começa a mudar para os dois quando Adam aparece, em momentos diferentes, em suas vidas. É a partir desse encontro inesperado que o casal, separadamente, reencontra a felicidade e o desejo.

Tykwer sabe filmar com precisão e delicadeza cenas isoladas de “Triângulo Amoroso”, se reafirmando enquanto um cineasta com um bom olhar estético. O alemão também acerta ao escolher uma edição que se divide em telas ao mesmo tempo em que abre espaço para os três protagonistas. A escolha de mudar o foco da narrativa ao colocar cada ponta do triângulo como protagonista é acertada e ajuda a criar empatia pelos três personagens. A preocupação estética (belas imagens e música no lugar certo) reforçam a simpatia do longa.

Mas “Triângulo Amoroso” está longe de ser perfeito e algumas coisas incomodam. Primeiro, o filme demora a engrenar e começa apresentando uma série de subtramas que não acrescentam muito e servem apenas para dar estofo aos personagens. Nenhum problema se tal fato não deixasse a produção com cara de mais longa do que é, passando a impressão de que o filme fica dando voltas até achar seu rumo.

Outro porém é uma certa indecisão entre um tom mais dramático e outro mais cômico, principalmente em relação aos momentos referentes ao acaso da história. Também não há nenhum problema em se misturar drama e comédia, mas Tykwer não parece muito confortável com essa opção. A encenação cômica de momentos-chave da narrativa acaba enfraquecendo o conjunto e destoa de uma abordagem mais triste e melancólica dada a algumas cenas, até mesmo à própria natureza dos personagens.

A sorte é que Tykwer é um bom diretor e tem um elenco talentoso defendendo o filme. O trio de atores sabe o que faz e contorna os clichês e o desfecho um tanto óbvio com dignidade. O resultado é um filme que compensa pelas partes, ainda que seja enfraquecido pelo todo.

Um pensamento sobre “Triângulo Amoroso

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