Imortais X Missão Impossível

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Numa escala de respeitabilidade bem preconceituosa, filmes de ação só ganham das produções do gênero de terror. No senso comum, são filmes feitos como entretenimento ligeiro, vazio, de consumo descartável. Raramente são levados a sério. A culpa é do próprio cinema – ou da indústria do cinema, para ser mais justo.

Correrias em demasia, cenas e perseguições mirabolantes, explosões e mais explosões, que ecoam sem a menor pena do ouvido dos espectadores no Double Sound System das salas de cinema, e personagens rasos como pires também não ajudam. Tudo embalado por uma edição picotada e frenética que não dá trégua. Os heróis invencíveis que levam murros, tiros, pontapés e sobrevivem a quedas e explosões (no primeiro murro, eu já pedia penico!) tornam tudo mais inverossímil e, porque não, chato.

Mas com fé sempre dá para pinçar alguma coisa bacana e com substância desse gênero quase tão amplo quanto a vida (basta ter uma explosão aqui ou um tiro ali e, voilá, o filme já é categorizado como de ação). Alguns diretores, como James Cameron ou Christopher Nolar, por exemplo, se saem muito bem no gênero e conseguem, vez ou outra, deixar o rótulo com uma cara menos estereotipada. Recentemente, vi dois exemplares de filmes de ação bem distintos entre si e com resultados diversos também.

A série Missão Impossível já teve diretores como Brian DePalma, John Woo, JJ Abrams e chega ao quarto episódio marcando a estreia de Brad Bird no cinema live action (antes, o rapaz só havia dirigido animações, sendo “Os Incríveis” a mais bem-sucedida). A estreia do moço é promissora, mas não traz nada de novo à série.

Tom Cruise continua carismático como sempre, mesmo sendo mais odiado do que amado nos dias de hoje. A ação é ininterrupta; a edição, acelerada; a história, estapafúrdia. E por aí vai. Depõe contra o longa a total falta de empatia do vilão (vivido sem o menor entusiasmo por Michael Nyqvist, da trilogia sueca Millenium). Tirando um tom mais cômico ali ou acolá, a produção não difere muito das demais no quesito “me diverti, mas já esqueci”. Passatempo rápido e indolor. Mas ninguém precisa de um quinto episódio, vamos ser honestos!

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Bem mais memorável, ainda que no pior sentido, é Imortais, produção do subgênero ação nos tempos da mitologia. Esse exemplar se localiza em algum lugar entre um “Gladiador” e um “300” da vida, em uma versão bastante piorada. Sem o talento narrativo de um Ridley Scott, Tarsem (um dos piores diretores da atualidade, responsável pelos belos e vazios “A Cela”, “The Fall” e pela bomba anunciada “Espelho, Espelho Meu”), se espelha mais na pretensão visual de Zack Snyder. O cara, advindo do universo dos videoclipes (“Losing My Religion”, do REM, é dirigido por ele), confunde cinema com direção de arte e figurinos exagerados e, claro, piora a cada novo longa.

O resultado é uma produção que troca a narrativa por plumas, paetês, figurinos risíveis e uma câmera lenta que tenta dar estofo a imagens totalmente vagabundas e genéricas. Há quem goste, claro! Não eu! A mistura de deuses gregos sarados, mortais também sarados, efeitos especiais, Henry Cavill e mais uma legião de atores descamisados não cola.

Para quem, como eu (vamos admitir!), foi ver o filme só por causa dos corpos dos atores (lindos, é verdade!) em 3D, a dica é ir logo direto ao ponto e ver algum “filme educativo” da UK Naked Men, por exemplo. Os atores são mais bonitos, vão direto ao ponto e os gemidos que eles dão são bem mais honestos do que os diálogos que você vai ver aqui. A mais pura verdade.

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