Pílulas fílmicas II

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Os Descendentes
Alguns filmes se destacam graças à grande interpretação de seus atores. O roteiro pode ser convencional, a direção corriqueira, mas um ou mais atores elevam o nível do filme em virtude de sua entrega aos papéis. O novo trabalho de Alexander Payne segue essa linha de raciocínio. Nem de longe tão mordaz quanto seus longas anteriores (“Ruth em Questão”, “A Eleição” e, em menor grau, “Sideways”), “Os Descendentes” vem chamando a atenção da crítica e do público. Mas o destaque que a produção vem recebendo decorre muito mais da presença de George Clooney do que propriamente pelas qualidades cinematográficas do filme. O roteiro é bem intencionado, e a direção de Payne, discreta. Clooney, em uma atuação comovente, encontra seu melhor no papel de um pai que tem que aprender a lidar com as filhas. A presença luminosa de Shailene Woodley também não faz mal a um filme cheio de boas intenções, mas que não deixa muitas marcas.
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Precisamos Falar Sobre o Kevin
O grande destaque do filme da diretora Lynne Ramsay é a atuação de Tilda Swinton, que destrói tudo que está na sua frente. Mas a atuação da atriz não é a única razão para se assistir a “Precisamos Falar Sobre o Kevin”, um filme difícil e com uma história para pessoas de estômago forte. Tilda interpreta uma mãe incomum: ela e o filho (Erza Miller) simplesmente não têm a menor sintonia, e a maternidade chega a sua vida como um pesadelo. Ramsay transforma esse pesadelo audiovisual em belos planos e composições visuais, o que contrasta com a dureza da trama, com poucas concessões.  O maior mérito da diretora é tentar ao máximo não demonizar nem a mãe, que está longe de tomar atitudes socialmente aceitas, nem o filho, um adolescente deslocado como tantos, mas violento como poucos. Os tons vermelhos dominam a narrativa, e Swinton tenta desesperadamente limpar a cor das paredes de sua casa como se quisesse se livrar das memórias de uma tragédia anunciada. As idas e vindas no tempo não tentam explicar nada, apenas causar um incômodo que não deixa o espectador sossegado. O resultado é um filme nada feliz, ainda que seja puro cinema.

Um pensamento sobre “Pílulas fílmicas II

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