The Girl With The Dragon Tattoo

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Nada como um David Fincher para transformar em filmaço uma trama rocambolesca e meio esticada demais. Os Homens que Não Amavam as Mulheres é um fenômeno literário e virou uma trilogia de filmes suecos que tem como maior mérito revelar para o mundo o talento de Noomi Rapace. A atriz interpreta nos longas a personagem Lisbeth Salander, a maior razão do sucesso dos livros e das produções cinematográficas suecas, filmes interessantes que nunca passam do mediano.

Nas mãos de David Fincher, o que era apenas um mero thriller ganha ares de cinema de verdade na versão hollywoodiana do sucesso. Com sua habitual técnica, Fincher é um diretor visual e ousado que sabe lida da melhor forma possível com os furos e incongruências da trama do livro do autor Stieg Larsson, bem como a história arrastada que aponta para vários caminhos.

O resultado é uma produção vigorosa, eletrizante e com o habitual apuro estético de Fincher, cineasta advindo do mundo da publicidade e dos videoclipes e que encontrou no cinema o ambiente ideal para expandir seu talento. Os Homens que não Amavam as Mulheres ganha corpo em suas cores frias, direção de arte precisa, edição envolvente e trilha sonora incômoda (o cineasta retoma a parceria com a dupla de compositores de “A Rede Social”, Trent Reznor e Atticus Ross, aqui em um trabalho mais discreto, mas essencial para o clima sombrio do longa). O diretor sabe como manter o suspense mesmo para quem já leu o livro e viu a versão cinematográfica sueca e constrói um exercício estilístico e narrativo, apresentando o que de melhor o cinema hollywoodiano pode fazer atualmente.

Daniel Craig tem os olhos azuis mais cristalinos da face da Terra e o carisma necessário para convencer no papel de um jornalista investigativo envolvido em uma trama de corrupção e morte (dizer que o ator é sarado demais para interpretar um jornalista é ser preguiçoso e apostar no estereótipo do repórter gordo e desleixado, além de esquecer que estamos falando de uma indústria que não prima pela verossimilhança). Rooney Mara também funciona no papel de Lisbeth Salander, dando à personagem uma aura mais frágil. Mas sua caracterização não deixa de ser parecida demais com a da atriz Noomi Rapace, o que tira parte da originalidade de sua atuação.

A trama é a mesma, com algumas modificações, e cansa um pouco em virtude dos vários rodeios da história. O elenco secundário traz várias caras conhecidas. A abertura do filme é sensacional, ao som da versão esganiçada de Karen O para Immigrant Song, do Led Zeppelin. Mas, ainda que bem sucedido em sua empreitada e superior à versão sueca, o grande calcanhar de Aquiles do longa é o filme original. Quando se chega ao fim da produção, mesmo com tudo no devido lugar graças à dedicação cirúrgica de Fincher, um dos melhores diretores da atualidade, uma pergunta não sai da cabeça: “pra quê mesmo refilmar um filme tão recente e ainda vivo na memória?” (dizer que muita gente não viu o original também não deixa de ser uma repetição da velha preguiça dos remakes; o filme está disponível em torrents e locadoras por aí, é só procurar).

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