Alien, uma revisão

Alien é a minha série cinematográfica predileta e pronto. Motivos para isso não faltam. Sou fã de filmes de ficção científica e de terror, e a série passeia muito bem pelos dois gêneros. O fato de cada produção da série ser assinada por um diretor visionário me empolga, ainda mais porque os cineastas são bons e agregam uma visão bem particular para o episódio que dirigiram. E Sigourney Weaver é uma deusa do cinema, mesmo ultimamente ela estando relegada a um bando de longas ruins e/ou esquecíveis (acompanhar o amadurecimento da atriz, física e emocionalmente, é uma das melhores coisas de rever a série em ritmo de maratona).

Com a estreia de Prometheus, volta de Ridley Scott ao gênero ficção científica e ao universo Alien (leia minha resenha aqui), resolvi rever os quatro filmes da série, esclarecendo que ignoro aqui os dois Alien vs Predador, que não vi e nem sei se verei um dia.

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Alien, O 8º Passageiro – Ridley Scott dá o pontapé inicial da série e cria um filme tenso que mistura ficção científica e terror com louvor e dita as regras para todo e qualquer produção que traga um monstro em um ambiente fechado como elemento da história. Scott começa o longa sem pressa e estabelece a mítica que se estenderia por mais três capítulos da série. Criando um clima, seja por meio da fotografia e direção de arte precisa, seja pelo ritmo e tensão, o diretor demora a mostrar o alien e confunde o espectador ao não deixar claro quem é o herói/heroína do filme. O resultado é um belo exercício de suspense que, de certa forma, redefine o papel das mulheres no cinema. A tenente Ripley, interpretada com força por Sigourney Weaver, entrou diretamente no imaginário cinematográfico de toda uma geração de cinéfilos.

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Alien, O Resgate – Depois do sucesso de “O Exterminador do Futuro”, James Cameron recebe a tarefa de dar continuidade ao longa de 1979. A tensão do primeiro filme é trocada por um ritmo mais de ação, e o suspense de um monstro dentro de uma nave dá lugar a uma centena de aliens dominando um planeta, o que de certa forma banaliza a figura da criatura. O começo do filme é um pouco arrastado, e a equipe militar sempre com uma mulher meio macho virou quase uma marca registrada de Cameron. O filme tem cara de produção B, mas Sigourney Weaver revive Ripley de forma mais carismática (recebeu, inclusive, uma indicação ao Oscar pelo filme, coisa rara para uma atriz interpretando uma heroína em um longa de ação). Mesmo tendo envelhecido (muito mais do que o filme dirigido por Scott), “Alien, O Resgate” é uma continuação louvável, mesmo repetindo a estrutura narrativa do anterior. Não alcançou o status clássico do primeiro, mas nem precisava.

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Alien 3 – Pela primeira vez um capítulo da série é assumido por um estreante no cinema. Tá certo que o cara, nada mais nada menos do que David Fincher (um dos principais cineastas da atualidade), destacou-se no mundo do videoclipe (“Express Yourself” e “Vogue”, da Madonna, e “Freedom 90”, do George Michael), mas videoclipe é videoclipe e cinema é cinema. Em meio a uma produção caótica, o longa faz uma volta ao passado e fica no meio termo entre o terror do primeiro e a ação do segundo. Mais uma vez temos apenas um monstro, e a atmosfera é bem mais importante do que a lógica narrativa (o fato de Ripley estar infectada nunca é explicado a contento, por exemplo). Entre os erros do diretor está o fato do alien ser em CGI, o que o torna bem menos assustador. O maior acerto é o final do longa, o mais emocionante da série.

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Alien, A Ressureição – O filme mais caótico da série. Depois da morte da protagonista do final do terceiro (se você acha que isso é um spoiler, desculpa caríssimo, mas você nem merece viver), Ripley volta como um clone nessa continuação. A premissa do longa é bem interessante, mas seu desenvolvimento não. O francês Jean-Pierre Jeunet acerta na estética da produção, principalmente na forma clara e límpida como vemos os aliens, mas a narrativa é ligeira e sem nexo. Sigourney Weaver está bem a vontade voltando ao universo que a consagrou, e a relação dela com a robô interpretada por Winona Ryder é a melhor coisa do longa. É o capítulo da série com final mais esperançoso, mas a série merecia um desfecho melhor.

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