Oscar 2013: Lincoln X Os Miseráveis. Qual o pior filme?

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Tem gente que acha que Oscar é sinônimo de qualidade. Dois filmes que concorrem a várias estatuetas esse ano provam que não. “Lincoln” saiu na frente com 12 indicações e é, de longe, o filme mais chato da carreira de Steven Spielberg. “Os Miseráveis” levou oito indicações e divide opiniões: alguns amam, a maioria odeia e torce o nariz.

Lincoln é uma longa e maçante aula de história, igual, ou pior, àquelas bem chatas do colégio. Dirigido com toda a sobriedade possível por Spielberg, o cineasta confunde profundidade com fotografia escura, ritmo lento e uma duração massacrante. São mais de duas horas e meia de muita falação que tenta dar conta de uma parte importante da história dos Estados Unidos.

Como manda a cartilha ufanista estadudinense, somos apresentados a uma linda versão dos fatos, quando um homem, o presidente Abraham Lincoln, sabe-se lá o porquê (talvez tenha dormido na hora que explicaram os motivos dele), começa uma luta para abolir a escravidão e acabar com a Guerra da Secessão (dê um Google se você não sabe o que é isso). Tudo filmado da forma mais burocrática e épica possível, mesmo sem ser.

Se, durante a primeira metade, estamos preocupados demais em acompanhar os diálogos intermináveis entre políticos e mais políticos, na segunda parte, Spielberg pesa um pouco menos a mão. Depois de muito sofrimento (do espectador), o diretor acelera um tantinho só o ritmo e adota um pouco seu habitual sentimentalismo, seja inserindo certa comicidade ou apelando para o melodrama, principalmente na cena da morte de Lincoln (sim, ele morre no final!).

O elenco é competente, mas não tem o menor carisma (exceções de Tommy Lee Jones, Sally Field e um gordo e desfigurado James Spader – que já foi bastante pegável um dia). A atuação de Daniel Day-Lewis é nula (nessa hora, eu apanho). O ator se esforça, mas poderia estar interpretando uma nova versão de Nosferatu no mesmo filme e ninguém notaria a diferença.

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Mas como tudo pode ser pior, eis que temos Os Miseráveis. O novo filme de Tom Hooper (do bonitinho e caretinha “O Discurso do Rei”) não é apenas um musical, mas sim um MUSICAL que quer deixar isso bem evidente a todo custo, em outras palavras, a paciência do espectador. Totalmente cantado, o filme é sério, bem sério, então esqueça danças e performances divertidas. A opção de Hoover é por uma produção “broadwayana” inteiramente cantada na qual as músicas são totalmente sem graça (a única exceção é a cena de apresentação dos personagens de Sacha Baron Cohen e Helena Boham Carter, que parecem saídos diretamente de Sweeney Todd).  

Apesar da produção caprichadíssima (a fotografia e a direção de arte realmente saltam aos olhos), o resultado do filme beira o insuportável e carece de dramaticidade. O fato dos atores cantarem “ao vivo” só piora a experiência. Temos vozes desafinadas e uma comicidade involuntária. A mão pesada de Hooper acaba com tudo graças à profusão de closes desnecessários e a grandiosidade como tudo é filmado.

Dividido em três partes, o longa tem personagens demais, e a maioria pouco acrescenta ao fiapo de história: Jean Valjean (Hugh Jackman com uma peruquinha cacheada ridícula) fugindo de Javert (Russell Crowe, que não envelhece uma ruga, mesmo o filme tendo um tempo – e quase uma duração – de 20 anos). O final é puro constrangimento e, mesmo Hooper forçando todas as barras, não senti nada durante toda a produção (mentira, fiquei feliz na hora que mataram a criança a tiros!).

PS: Oscar de melhor cara forçada de choro e sofrimento para Anne Hathaway. E só.

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