Êxodo: Deuses e Reis

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Ridley Scott é um cineasta irregular. Para cada “Blade Runner”, “Alien, o 8o. Passageiro” e “Thelma & Louise”, o diretor tem na bagagem uma lista de bombas e filmes genéricos: “A Lenda”, “Até o Limite da Honra”, “Um Bom Ano”, “Rede de Mentiras” e por aí vai. Depois do decepcionante “Prometheus” e do equivocado “O Conselheiro do Crime”, Scott tenta em Êxodo: Deuses e Reis voltar aos bons tempos épicos de “Gladiador”. A tentativa, porém, é em vão.

“Êxodo: Deuses e Reis” é um samba do criolo doido e lembra mais os frustrantes “Cruzada” e “Robin Hood” do que o sucesso que revigorou o gênero épico no início dos anos 2000 e deu a Russell Crowe o Oscar de melhor ator. Nem a encenação grandiosa e o elenco estelar são capazes de compensar o roteiro confuso, a edição mal amarrada e a direção preguiçosa de Scott. O resultado é um filme tão irregular e cheio de altos e baixos como a carreia do próprio cineasta.

O início do longa, que tenta dar um tom mais realista à trajetória de Moisés, já demonstra a insegurança de Scott na condução do projeto. As cenas são desconexas. A direção de arte e figurinos se perdem na encenação grandiosa, mas pouco memorável. E o elenco inteiro é desperdiçado: Sigourney Weaver entra muda, sai calada e some sem deixar vestígios; Jonh Turturro não deixa marcas como faraó; Ben Kingsley pouca faz; e uma série de outros atores, incluindo os protagonistas Christian Bale e Joel Edgerton parecem escolhas equivocadas.

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Seguindo o caminho clássico de outras produções como “Dez Mandamentos” e da animação “O Príncipe do Egito”, “Êxodo: Deuses e Reis” não convence. O primeiro ato pouco inspirador dá lugar a um miolo arrastado e tedioso. Scott tenta compensar a falta de vigor narrativo do longa inundando a produção de efeitos especiais e apelando para uma edição mais acelerada quando as pragas atingem o Egito. O filme quase ganha força, mas o estrago já está feito.

Bastante eclético na escolha de seus projetos, Ridley Scott já se aventurou por quase todos os gêneros. Fez sucesso na ficção científica, dirigiu aventuras juvenis, thrillers, policiais, comédias, romances, filmes históricos, épicos e de guerra. Acertou a mão em muitos, errou em muitos mais. “Êxodo: Deuses e Reis” não chega a ser o pior trabalho do cineasta, mas está entre uma das suas grandes decepções.

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