Expatriadas

É difícil sentir empatia pelas protagonistas de “Expatriadas”, minissérie escrita e dirigida por Lulu Wang. Isso fica ainda mais evidente no quinto episódio, quando a narrativa muda o foco do drama dos personagens centrais para os periféricos, trazendo uma perspectiva diferente para a história e revelando a falta de carisma das três mulheres que guiam a trama.

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O que une essas três mulheres é um acidente envolvendo o caçula de uma delas. Nicole Kidman (que quase repete, sem o mesmo carisma, seu papel indicado ao Oscar em “Reencontrando a Felicidade”) vive uma mãe em luto. Saraya Blue é uma indiana bem-sucedida que sofre pressão da família para ter um filho, mas vive uma crise no casamento. E Ji-Young Yoo é a jovem coreana que acredita ser amaldiçoada e é catalisadora de todo o drama.

É a partir do encontro das três que as personagens se transformam, revelando a fragilidade da vida diante do inesperado. Com um olhar delicado (já revelado no drama “A Despedida”), tanto para a construção das cenas quanto para a composição das imagens, Lulu Wang tenta desviar ao máximo do melodrama, mas nem sempre consegue, seja por causa do registro das atuações ou pela própria temática sobre as pressões da sociedade em relação ao papel das mulheres, em especial no que tange a maternidade.

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Ainda que o escopo seja menos pretensioso e a narrativa menos estilhaçada do que a “Trilogia da Morte” (ou do Caos) -“Amores Brutos”, “21 Gramas” e “Babel” -, de Alejandro González Iñárritu, “Expatriadas” segue a mesma premissa de encontros aleatórios que mudam as vidas das protagonistas, o que torna a minissérie um tanto datada.

Se a história nem sempre empolga mesmo com a bela encenação (o final, por exemplo, é clichê e sem força), Lulu Wang acerta no modo como a trama mostra a forma que as diferenças de classe afetam como vivenciamos uma cidade, ainda mais aquela que não é nossa (todas as personagens são estrangeiras morando em Hong Kong). Se de um lado temos patroas que vivenciam seus dramas em meio a uma vida abastada, de outro temos mulheres que enfrentam dificuldades e deixaram de lado suas famílias atrás de mais oportunidades em outro país.

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É essa dicotomia que dá força a “Expatriadas”, uma minissérie que se torna mais potente quando abraça a realidade cruel das desigualdades sociais e deixa de lado os melodramas de gente rica que sofre em meio a uma vida confortável. Nesse ponto, a minissérie reflete a realidade de mulheres de vários países em desenvolvimento, ainda que a diretora tente, sem muito sucesso, inserir o contexto político de Hong Kong ao fundo do drama as personagens.

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