Uma batalha após a outra

Uma batalha após a outra” é o filme mais político de Paul Thomas Anderson. Ainda que o cineasta já tenha flertado com a ambição do capitalismo (“Sangue Negro”) e com a religião (“O Mestre”), é em sua nova produção que Anderson toca em uma ferida mais profunda, o fascismo que assola a “América” (os Estados Unidos).

Ao longo de 2h40, o diretor mira suas lentes para criticar os fundamentalistas e tirar sarro dos que bradam “Make America White Again”. O resultado é, sim, político, mas extremamente acessível, com Anderson abraçando, inclusive, um registro de entretenimento, mesmo que sua mensagem seja clara: estamos fudidos.

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É engraçado, no entanto, que o diretor pareça quase emular outros cineastas neste grande filme que o coloca novamente comandando em um tom mais épico, depois do mais leve “Licorice Pizza”. Em sua introdução, por exemplo, quando apresenta seus temas e personagens, Anderson emula a ação de Michael Mann (“Fogo contra Fogo”), a verborragia irônica e os nomes maravilhosos de personagens de Quentin Tarantino (“Pulp Fiction”) e mesmo David Fincher, fazendo de “Uma batalha após a outra” quase seu “Clube da Luta”.

No longa, Leonardo DiCaprio começa quase coadjuvante, deixando Teyana Taylor (de “Mil e Um”) brilhar como uma sedutora rebelde de um grupo revolucionário que quer mudar o status quo, seja assaltando bancos, explodindo gabinetes ou libertando imigrantes presos pelo governo estadunidense. Em uma de suas ações, ela acaba despertando a ira e o desejo de um capitão, vivido por um ótimo Sean Penn que carrega no exagero.

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É a partir desse encontro que “Uma batalha após a outra” desenvolve sua narrativa, com um salto temporal de dezesseis anos após o grupo revolucionário precisar de desfazer em virtude de uma traição. Leonardo DiCaprio assume então o protagonismo do longa, que passa a funcionar como uma história sobre a relação entre um pai e sua filha (a ótima de Chase Infiniti, da minissérie “Acima de Qualquer Suspeita”).

O filme, no entanto, nunca abandona sua proposta inicial de questionar o atual estágio de alarme da sociedade. Paul Thomas Anderson faz isso com seu habitual esmero técnico e estético, entregando não apenas um filme bem construído, mas cheio de energia (em parte cortesia da ótima trilha sonora de Jonny Greenwood, colaborador recorrente do cineasta, que costura a edição).

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Aliado à técnica e ao talento narrativo do diretor, que, mesmo com a longa duração, nunca deixa o filme perder o ritmo, “Uma batalha após a outra” é também um desfile de boas atuações, com gente como Regina Hall, Benicio Del Toro e Tony Goldwyn defendendo com paixão seus pequenos papéis. Não por acaso, o longa já é um dos favoritos na próxima temporada do Oscar, com grandes chances de ser a produção que finalmente vai dar a Paul Thomas Anderson seu primeiro Oscar.

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