Licorice Pizza

Paul Thomas Anderson é um dos grandes cineastas norte-americanos que ganhou fama nos anos 1990. Ao lado de nomes como David Fincher e Wes Anderson, ele foi responsável pela minha cinefilia no começo da juventude (ele é dono, por exemplo, de dois dos meus filmes preferidos da vida: “Boogie Nights” e “Magnólia“). No começo dos anos 2000, ele enveredou por outros caminhos, experimentando na linguagem (“Embriagado de Amor“) e apostando em um maior formalismo (“O Mestre” e “Sangue Negro“), e eu perdi um pouco o tesão pelo seu cinema.

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Com uma trama que corre solta sem muito apego ao que está acontecendo na tela, “Licorice Pizza“, novo trabalho do cineasta, talvez seja seu filme mais leve e descompromissado. Paul Thomas Anderson deixa um pouco de lado a austeridade dos seus últimos longas e entrega um filme cheio de energia que parece uma mistura de “American Graffiti” com “Quase Famosos“.

Muito bem dirigido, com cenas cheias de coisas acontecendo e com uma edição fluida que faz a história avançar sem problemas, minha maior questão com o longa é justamente a falta de uma trama mais amarrada, principalmente porque fica difícil comprar a amizade colorida entre uma jovem de 25 anos e um adolescente empreendedor de 15. 

Mas Paul Thomas Anderson e a própria produção não parecem muito preocupados com isso, na medida em que “Licorice Pizza” pertence mesmo aos novatos Alana Haim (uma das integrantes da banda Haim) e do filho de um dos atores-marca de Anderson, Philip Seymour Hoffman, Cooper Hoffman. Mesmo a história do longa nem sempre fazendo sentido, os dois atores enchem a tela de carisma e fazem as engrenagens do filme funcionarem. Os dois estão tão bem que Anderson parece apaixonado pelos atores e personagens, quase não desviando a câmera deles, mesmo que gente como Sean Penn, Tom Waits e Bradley Cooper pipoquem vez ou outra na tela.

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Com três indicações ao Oscar (filme, direção e roteiro original), “Licorice Pizza” é o mais próximo que o cinema de Anderson chegou de uma comédia romântica, bem melhor do que “Vício Inerente“, por exemplo, outro filme di diretor ambientado nos anos 1970 e que tenta abraçar uma abordagem mais solta e descompromissada com a narrativa. Mas meu cinema preferido de Anderson segue sendo seus dois clássicos da segunda metade dos anos 1990. 

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